MCMV reformulado em 2026: 3 mudanças que afetam seu bolso
A MP assinada ontem altera subsídios, limites de renda e taxas. Veja se você ainda entra no programa e quanto pode economizar no financiamento.

O governo federal assinou nesta sexta-feira a medida provisória que reformula o Minha Casa, Minha Vida, em vigor a partir de 1º de setembro. A principal novidade é o reajuste de 9% nos limites de renda para as faixas 1 e 2, que passam a contemplar famílias com renda bruta de até R$ 4.850 e R$ 7.420, respectivamente. A medida também reduz o subsídio máximo para imóveis acima de R$ 350 mil, o que deve reorientar o programa para o segmento de entrada.
Segundo levantamento da Abrainc divulgado esta semana, cerca de 380 mil famílias que antes estavam fora das faixas podem agora se enquadrar no programa. Por outro lado, a redução do subsídio para imóveis de maior valor afeta diretamente quem planejava usar o MCMV para financiar um apartamento de até R$ 500 mil. Para esses casos, o valor máximo de ajuda cai de R$ 55 mil para R$ 38 mil, uma diferença de R$ 17 mil que pode exigir parcela maior.
A MP também cria uma nova modalidade de financiamento com taxa prefixada de 9,5% ao ano para famílias da faixa 2, válida até o fim de 2026. Segundo o Banco Central, essa taxa está 1,2 ponto percentual abaixo da média praticada pelo mercado, que fechou julho em 10,7% para operações com recursos da poupança. O último Copom, realizado em 28 de julho, manteve a Selic em 11% ao ano, o que preserva a previsibilidade da nova linha.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam que a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias. O relator, deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), afirmou ontem que pretende votar o texto ainda em agosto. Enquanto isso, a Caixa Econômica Federal já começou a adequar seus sistemas e disponibilizará as novas condições a partir do dia 1º de setembro.
Para quem está pensando em comprar, a recomendação é recalcular o orçamento com as novas regras. Se você se enquadra na faixa 2 e deseja financiar um imóvel de até R$ 400 mil, a economia com a taxa prefixada pode chegar a R$ 48 mil em 30 anos, considerando a diferença de juros. Já para quem busca imóveis acima de R$ 350 mil, é preciso avaliar se a redução do subsídio não inviabiliza o plano.
Enquanto isso, o mercado de médio padrão deve esquentar: a FipeZap registrou alta de 2,1% no preço dos imóveis em julho, puxada pela demanda por apartamentos de 2 e 3 quartos. A reformulação do MCMV, portanto, não apenas mexe no programa, mas reordena todo o setor. Fique atento às próximas semanas, quando o Congresso definirá os detalhes finais e a Caixa publicará o manual operacional.


