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MCMV contrata 42 mil unidades em julho; governo amplia subsídio de R$ 55 bi para 2027

Com Selic a 10,25% e aperto fiscal, programa habitacional registra alta de 18% nas contratações no trimestre. Novas regras do Casa Verde e Amarela entram em debate no Congresso.

Redação Perspectiva Imobiliária·
MCMV contrata 42 mil unidades em julho; governo amplia subsídio de R$ 55 bi para 2027

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou 42 mil novas unidades habitacionais em julho de 2026, alta de 18% em relação ao mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal, durante reunião do Conselho Curador do FGTS. O desempenho reflete a manutenção dos subsídios federais, mesmo com a taxa Selic em 10,25% ao ano — patamar que elevou a parcela média do mutuário em cerca de 8% nos últimos três meses.

Em meio ao aperto fiscal, o governo anunciou nesta semana a ampliação do orçamento do programa para R$ 55 bilhões em 2027, ante R$ 49 bilhões previstos inicialmente. A medida, no entanto, depende de aprovação do Congresso, que discute a nova versão do Casa Verde e Amarela. O relator da matéria, deputado João Campos (PSB-PE), propôs unificar as duas nomenclaturas — MCMV e CVA — em um único programa batizado de "Morar Brasil", com faixas de renda ampliadas para até R$ 9 mil mensais.

A novidade mais concreta para o comprador neste mês é a redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para imóveis de até R$ 350 mil, anunciada pelo Banco Central no último Copom. Com isso, a taxa efetiva caiu para 8,99% ao ano, o menor nível desde agosto de 2024. A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) estima que a medida pode gerar 15 mil contratações adicionais no trimestre.

Do lado da oferta, as construtoras enfrentam alta de 6,5% nos custos de insumos no acumulado do ano, impulsionada pelo câmbio desvalorizado e pela demanda aquecida. A Secovi-SP reportou nesta semana que o número de lançamentos na capital paulista voltou a crescer em junho, com 3.200 unidades, puxado pelo segmento econômico. O desafio, segundo especialistas, é conciliar o aumento dos subsídios com a sustentabilidade fiscal do programa.

Para o investidor pessoa física, o cenário misto sugere cautela. A FipeZap divulgou ontem que o preço médio do m² no Brasil subiu 2,1% em julho ante junho, com destaque para o Nordeste. A demanda por imóveis do MCMV, contudo, mantém a liquidez aquecida no segmento de baixa renda. A dica do mercado é acompanhar de perto as votações no Congresso na próxima semana, que podem definir o futuro do subsídio e impactar diretamente as margens das incorporadoras.

Resumo para o leitor: a política habitacional segue como prioridade do governo, mas o aperto fiscal e a inflação pressionam os custos. Para quem busca investir no setor, o momento é de olho nas regras — a ampliação do subsídio para 2027 pode ser um gatilho positivo, mas a alta dos juros reais ainda limita o poder de compra.

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