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MCMV atinge 280 mil contratos no semestre com nova faixa de renda até R$ 9.200

Expansão do programa habitacional e queda da Selic para 10,25% turbinam o crédito imobiliário. Entenda as mudanças que elevam o teto do subsídio e reduzem juros para a classe média.

Redação Perspectiva Imobiliária·
MCMV atinge 280 mil contratos no semestre com nova faixa de renda até R$ 9.200

O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) registrou 280.386 contratos no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Abrainc divulgados nesta quarta-feira (23). O volume representa alta de 18% ante o mesmo período de 2025 e já supera em 40% a média semestral de 2023. O avanço é atribuído à nova faixa de renda de até R$ 9.200, incluída em maio pelo Conselho Curador do FGTS.

A reformulação, sancionada em abril, ampliou o teto do subsídio de R$ 55 mil para R$ 68 mil no MCMV Faixa 3, que agora atende famílias com renda entre R$ 4.400 e R$ 9.200. Para a Faixa 1, o limite de renda subiu de R$ 2.640 para R$ 3.000, permitindo que mais famílias de baixa renda se enquadrem com subsídio integral de até 90% do valor do imóvel. A taxa de juros para a Faixa 3 caiu de 8,5% para 7,8% ao ano, enquanto a Faixa 1 passou de 5% para 4,5%.

A decisão do Copom de julho, que manteve a Selic em 10,25% ao ano, também favoreceu o crédito imobiliário. Com a estabilidade da taxa básica, os bancos reduziram os spreads médios para 6,2 pontos percentuais, segundo a Anbima, o menor patamar desde 2023. Para o comprador, a parcela média do MCMV Faixa 2 caiu 8% em relação a junho, passando de R$ 1.820 para R$ 1.674, considerando imóvel de R$ 220 mil com financiamento de 80% em 35 anos.

As construtoras listadas na B3 reportaram aumento de 12% nas vendas de imóveis enquadrados no programa no segundo trimestre, conforme balanços divulgados até 22 de julho. A MRV, maior operadora do MCMV, anunciou a compra de um terreno de 120 mil m² em São Paulo para erguer 2.500 unidades focadas na Faixa 3. Já a Direcional projeta entregar 18 mil unidades em 2026, 70% delas vinculadas ao MCMV.

O mercado secundário de crédito imobiliário também se movimenta. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) captaram R$ 14,3 bilhões em junho, alta de 22% na comparação anual, segundo a B3. O estoque total de LCI chegou a R$ 385 bilhões, impulsionado pela demanda de investidores atrás de rendimento isento de IR, agora em média de 102% do CDI.

O Congresso discute nesta semana o Projeto de Lei 4.827/26, que propõe a unificação do MCMV com o Casa Verde Amarela em um único fundo garantidor de R$ 15 bilhões. A proposta, relatada pelo deputado Celso Sabino (União Brasil-PA), prevê que o novo fundo cubra até 90% do saldo devedor em caso de inadimplência involuntária (desemprego ou doença), ampliando a segurança dos bancos e possibilitando juros ainda menores.

Para quem planeja comprar imóvel, o momento é favorável: além das taxas mais baixas, a inflação controlada (IPCA de 4,2% acumulado em 12 meses) e o desemprego em 7,8% (menor desde 2014) sustentam a renda das famílias. A recomendação de especialistas é simular financiamentos com as novas condições e verificar a elegibilidade no site da Caixa. Até o fim de 2026, a Abrainc projeta que o MCMV atinja 520 mil contratos, recorde histórico do programa.

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