MCMV 2026: 58% dos imóveis vendidos no 2º tri usam subsídio; veja como entrar
Dados da Abrainc mostram que o Minha Casa, Minha Vida dominou as vendas neste semestre. Entenda por que a nova fase do programa e o FGTS turbinado podem ser a chave para o seu financiamento.

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) voltou a ser o motor do mercado imobiliário brasileiro. Dados da Abrainc divulgados esta semana mostram que, no segundo trimestre de 2026, 58% dos imóveis vendidos no país foram contratados com algum subsídio do programa — o maior percentual desde o lançamento da nova fase, em 2023. No total, foram 92 mil unidades financiadas com recursos do FGTS e do SBPE, um crescimento de 12% sobre o trimestre anterior.
O que explica esse avanço é a combinação de dois fatores recentes: a ampliação do subsídio máximo para famílias de renda até R$ 4,4 mil, anunciada em julho, e a redução da taxa de juros para 8,5% ao ano na faixa 1, válida desde o início de agosto. Com isso, uma família que ganha R$ 3,5 mil, por exemplo, consegue prestações até R$ 200 menores do que há seis meses — o que tem atraído compradores de primeira viagem.
A reformulação das faixas do programa, oficializada no fim de agosto, também mudou as regras de contrapartida. Na faixa 1, o desconto médio subiu de R$ 47 mil para R$ 55 mil, mas o prazo de financiamento foi limitado a 30 anos. Já na faixa 2, que atende rendas de até R$ 8 mil, o teto de imóveis financiáveis passou de R$ 350 mil para R$ 380 mil em capitais como São Paulo, Rio e Brasília. A medida, segundo a Secovi-SP, deve deslanchar lançamentos na casa dos R$ 350 mil a R$ 400 mil no quarto trimestre.
Enquanto o MCMV cresce, o Casa Verde Amarela, seu antecessor, segue em fase de encerramento. O estoque remanescente de contratos — cerca de 180 mil unidades, segundo o Ministério das Cidades — está sendo atendido pelas regras antigas até dezembro de 2026. Especialistas alertam: quem já tinha proposta aprovada no antigo programa deve apressar a assinatura, pois a partir de janeiro todo novo contrato seguirá as regras do MCMV, que em alguns casos exigem entrada maior.
Para quem não se enquadra no subsídio, o crédito imobiliário também ganhou novidades neste mês. O Banco Central anunciou, na última sexta-feira, que os bancos poderão usar até 30% dos depósitos de poupança para financiar imóveis de até R$ 1,5 milhão, antes limitados a R$ 1,2 milhão. A medida liberou cerca de R$ 8 bilhões em novos empréstimos, e a Caixa já sinalizou que vai repassar isso em condições especiais para a classe média.
Outro ponto que mexe com o bolso do comprador é o FGTS. Neste mês, o Conselho Curador aprovou o uso do Fundo de Garantia para amortizar financiamentos de imóveis usados — antes, só valia para novos. A regra vale para contratos firmados a partir de outubro. Isso significa que, se você comprar um usado, poderá usar o saldo do FGTS para reduzir parcelas a cada dois anos. Segundo a Anbima, a medida pode reduzir o custo total de um financiamento de R$ 400 mil em até R$ 60 mil, dependendo do cenário.
Mas atenção: há um prazo que pode mudar os planos. A nova rodada de corte da Selic, decidida no último Copom (setembro), derrubou a taxa básica para 9% ao ano — a menor desde 2021. No entanto, os bancos ainda não repassaram integralmente essa queda para as linhas de crédito imobiliário. A expectativa do mercado é que a Caixa, o Bradesco e o Itaú atualizem suas tabelas até o fim do mês, com redução de 0,5 a 0,7 ponto percentual nas taxas. Quem conseguir esperar até outubro pode garantir parcelas ainda mais baratas.
Para o comprador, a dica é simular: as condições atuais de subsídio e juros do MCMV são as melhores desde 2023. Se a sua renda familiar está na faixa de até R$ 4,4 mil, você pode ter direito a até R$ 55 mil de desconto e juros de 8,5% — muito abaixo do mercado. Neste trimestre, as construtoras também estão com estoques altos em capitais como SP e BH, o que abre espaço para negociação. Com a regra do FGTS para usados e a Selic em queda, o momento é de conferir se você se encaixa nas novas faixas e garantir o subsídio antes que os estoques diminuam.


