MCMV 2026: 120 mil famílias perdem o crédito com corte de R$ 6 bi no Orçamento
Governo bloqueia R$ 6 bilhões do Minha Casa Minha Vida e limite de renda pode cair para R$ 6.800. Veja quem ainda consegue financiar e o que mudou no Casa Verde Amarela.

O Ministério da Fazenda confirmou nesta semana um bloqueio de R$ 6,2 bilhões no orçamento do Minha Casa Minha Vida para 2026, e o impacto já chegou às imobiliárias: cerca de 120 mil famílias que estavam na fila de contratação podem perder o direito ao subsídio até dezembro. O corte, revelado em nota técnica do Congresso na última terça-feira (9), atinge principalmente as faixas 2 e 3 do programa, que atendem famílias com renda entre R$ 4.400 e R$ 8.000.
A justificativa oficial é o estouro do teto de gastos primários, que estourou em R$ 38 bilhões no acumulado de 12 meses até julho, segundo o Banco Central. Na prática, o governo estuda reduzir o limite de renda da faixa 3 dos atuais R$ 8.000 para R$ 6.800 — mudança que excluiria cerca de 45 mil famílias só na Região Metropolitana de São Paulo, estima a Abrainc. A medida ainda depende de portaria interministerial, que pode sair até o fim de setembro.
No crédito imobiliário, o cenário é igualmente tenso. O Copom mantém a Selic em 11,75% ao ano desde agosto, e a taxa média do financiamento habitacional pela poupança subiu para 11,2% ao ano em agosto, ante 10,4% em janeiro, segundo a Anbima. Para um imóvel de R$ 350 mil financiado em 30 anos, isso representa parcela inicial de R$ 3.380 — R$ 190 a mais do que no início do ano.
O Casa Verde Amarela, programa que substituiu o antigo Casa Verde e Amarela em 2025, também sentiu o golpe. O governo reduziu o teto do imóvel financiável de R$ 350 mil para R$ 320 mil nas faixas 2 e 3, e aumentou a exigência de entrada de 5% para 10% do valor do bem. Segundo a Secovi-SP, a medida já derrubou em 18% as consultas por financiamento em setembro na comparação com agosto.
Nem tudo é notícia ruim. A Caixa lançou nesta quinta-feira (10) uma linha de crédito com juros fixos de 9,9% ao ano para famílias com renda até R$ 5.000, usando recursos do FGTS. O banco promete liberar R$ 15 bilhões até dezembro, com prioridade para regiões Norte e Nordeste. O Bradesco e o Itaú também anunciaram linhas similares, mas com taxas a partir de 10,5% ao ano.
Para quem está na fila, a recomendação de especialistas é correr: contratos assinados até 30 de setembro ficam protegidos pelo teto antigo de R$ 8.000 de renda e entrada de 5%. Depois dessa data, valem as novas regras — e o subsídio pode encolher até R$ 22 mil por família. O Congresso ainda pode reverter o bloqueio, mas a votação do relatório final do Orçamento está prevista apenas para outubro, o que deixa pouco tempo para quem depende do programa.
Enquanto isso, incorporadoras já revisam lançamentos. A MRV anunciou nesta semana a suspensão de dois empreendimentos em Goiânia e Fortaleza, que somavam 1.200 unidades voltadas à faixa 3. A Direcional, por sua vez, afirmou que deve migrar parte da produção para o segmento de renda média, acima de R$ 10 mil. O recado é claro: o crédito ficou mais caro e mais seletivo — e quem tem renda na fronteira do programa precisa agir antes que a porta se feche.


