MCMV 2026: 12 mil casas novas e corte de juros no crédito imobiliário
Governo libera R$ 4,2 bi para habitação popular, amplia faixa 4 e Caixa reduz juros do financiamento para 9,9% ao ano. Entenda quem entra na fila e o que muda na sua parcela.

O Minha Casa Minha Vida (MCMV) ganhou um novo fôlego nesta semana. Em anúncio conjunto dos ministérios das Cidades e da Fazenda, o governo federal liberou R$ 4,2 bilhões adicionais para a construção de 12 mil unidades habitacionais em 2026, com foco nas faixas 1 e 2 do programa. A medida foi publicada na última sexta-feira (12) no Diário Oficial e já está valendo. Segundo a Abrainc, o volume de lançamentos do MCMV cresceu 18% no acumulado do ano até agosto, na comparação com 2025.
O pacote também mexe na chamada "faixa 4" do programa, criada no ano passado para atender famílias com renda de até R$ 12 mil. Agora, o teto do imóvel financiado sobe de R$ 500 mil para R$ 600 mil em capitais e regiões metropolitanas. Na prática, quem ganha até R$ 10 mil e mora em São Paulo, Rio ou Belo Horizonte passa a conseguir encaixar apartamentos de dois dormitórios que antes ficavam fora do limite. A expectativa da Caixa é incluir 35 mil famílias nessa faixa até dezembro.
A outra ponta do crédito imobiliário também se moveu. A Caixa Econômica Federal anunciou corte na taxa do financiamento habitacional atrelado à poupança: a partir de 1º de outubro, a taxa mínima cai de 10,5% para 9,9% ao ano mais TR. O movimento segue a sinalização do Banco Central, que no último Copom, em 9 de setembro, manteve a Selic em 9,25% ao ano e indicou espaço para novos cortes no quarto trimestre. Com isso, a parcela de um financiamento de R$ 300 mil em 30 anos pode cair cerca de R$ 120 por mês.
O setor imobiliário reagiu rápido. A B3 registrou alta de 2,3% nos papéis de incorporadoras na sessão seguinte ao anúncio, com destaque para empresas com forte exposição ao segmento popular. A Anbima, por sua vez, aponta que a emissão de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) somou R$ 28,7 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, recorde para o período, impulsionada justamente pela demanda por crédito habitacional.
Nem tudo é festa. Especialistas alertam que o aumento do teto da faixa 4 pode pressionar ainda mais os preços de imóveis usados nas grandes cidades. O Índice FipeZap de agosto mostrou alta de 0,82% nos preços de venda residenciais em 12 capitais, o oitavo mês seguido de aceleração. Em São Paulo, o metro quadrado médio já bate R$ 11,4 mil. "O crédito mais barato aquece a demanda, mas a oferta de terrenos e a burocracia dos licenciamentos não acompanham na mesma velocidade", avalia o economista Rodrigo Azevedo, da Fipe.
Para quem pensa em comprar ou investir, o momento pede atenção ao calendário. As novas condições da Caixa valem para propostas protocoladas a partir de outubro. Quem já tem contrato assinado pode pedir portabilidade, mas a economia só compensa se a diferença de taxa superar 1,5 ponto percentual. Já o MCMV faixa 4 exige que o imóvel seja novo ou usado dentro do teto de R$ 600 mil e que o comprador não tenha outro imóvel na mesma cidade. A recomendação é simular o financiamento em pelo menos três bancos e comparar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui seguros e tarifas.
O Congresso também tem sua parte. O projeto de lei que cria o programa "Habita Mais" — uma espécie de prateleira única para subsídios federais — deve ser votado na Câmara ainda em setembro. Se aprovado, unificará regras do MCMV com o antigo Casa Verde e Amarela e dará mais previsibilidade ao setor. Enquanto isso, a fila anda: segundo o Ministério das Cidades, 680 mil famílias aguardam seleção para unidades do MCMV neste momento. Para quem está nessa lista, o recado é claro: os recursos extras desta semana podem ser a diferença entre assinar o contrato ainda em 2026 ou esperar mais um ano.


