Mansão de US$ 1 vendida em Nova York: o metro quadrado mais caro do mundo agora custa R$ 1,2 milhão
Um casarão histórico em Manhattan foi leiloado por US$ 1 na terça-feira (16), mas quem arrematou aceitou assumir uma dívida de US$ 18 milhões — e o imóvel vale dez vezes isso.

Um sobrado de pedra marrom na esquina da Bleecker Street com a MacDougal, no Greenwich Village, em Nova York, foi leiloado na terça-feira (16) por exatamente US$ 1. O lance vencedor partiu de um fundo imobiliário de Miami que, nos bastidores, já vinha negociando com credores desde maio. O valor simbólico esconde o verdadeiro custo: o arrematante assume uma hipoteca vencida de US$ 18 milhões, além de US$ 2,3 milhões em impostos atrasados e multas de preservação patrimonial. É o primeiro leilão de US$ 1 registrado em Manhattan desde 2009, segundo a corretora Douglas Elliman.
O imóvel, de 1912, tem 640 metros quadrados, quatro andares e fachada tombada pela Landmarks Preservation Commission. Avaliado em US$ 22 milhões em 2025, o casarão estava fora do mercado desde 2018, quando o último proprietário, um herdeiro da indústria têxtil, entrou em recuperação judicial. A Justiça de Nova York autorizou o leilão relâmpago como forma de destravar a dívida, que já consumia 14% do orçamento anual de manutenção do condomínio, segundo documentos obtidos pelo portal The Real Deal.
O fenômeno não é isolado. No trimestre encerrado em agosto, leilões com lance inicial simbólico cresceram 38% nos Estados Unidos em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Auction.com. A lógica é simples: o preço de entrada funciona como chamariz para ativos com passivo trabalhoso e pouca liquidez. Em São Paulo, a prática também apareceu neste mês no leilão de um edifício comercial na Rua Direita, no Centro, arrematado por R$ 1.000 simbólicos — com R$ 6,4 milhões em IPTU acumulado, conforme a Prefeitura.
O recorde mundial de metro quadrado, no entanto, segue em outra prateleira. Um apartamento de 230 m² no 92º andar do 432 Park Avenue, em Manhattan, foi vendido em julho por US$ 72 milhões — cerca de R$ 1,2 milhão por metro quadrado na cotação desta semana. É o maior valor por metro quadrado já registrado em um condomínio vertical, segundo ranking da Knight Frank. Em segundo lugar aparece um penthouse em Mônaco, a US$ 780 mil o m², e, em terceiro, uma cobertura em Hong Kong, a US$ 610 mil o m².
No Brasil, a referência é outra. O metro quadrado mais caro do país está no Leblon, no Rio, a R$ 42.800, segundo o Índice FipeZap de agosto. Em seguida vêm Itaim Bibi, em São Paulo, com R$ 28.400, e a Avenida Atlântica, em Copacabana, com R$ 24.900. Ou seja: o metro quadrado do 432 Park Avenue equivale a 28 Leblons. A comparação ajuda a entender por que fundos brasileiros, como os da XP Asset e da Rio Bravo, ampliaram neste mês suas posições em real estate americano de altíssimo padrão.
O curioso é que o sobrado de US$ 1 pode virar o oposto disso. O fundo de Miami já sinalizou que pretende transformar o casarão em residência única e pediu à prefeitura autorização para instalar elevador e adega subterrânea. A obra, orçada em US$ 9 milhões, deve levar 20 meses. Se concluída, o imóvel pode ser revendido por até US$ 40 milhões, segundo estimativa da Corcoran Group. O lucro potencial seria de 20 vezes o custo total — uma aula de como o metro quadrado mais caro do mundo às vezes começa com o lance mais barato.


