Maior arranha-céu do mundo: 1.000 metros e 1,5 mi de m² em Dubai
O Burj Khalifa perdeu o posto. A nova torre de Dubai, com 1.000 metros, terá 1,5 milhão de m² e deve virar o empreendimento mais caro do planeta. Veja os números.

Na semana passada, a construtora Emaar Properties anunciou oficialmente o início das obras do novo marco de Dubai: a torre de 1.000 metros de altura, que deve ser concluída em 2030. Com 1,5 milhão de metros quadrados de área construída, o empreendimento superará o Burj Khalifa — que tem 828 metros e 309.000 m² — e se tornará o maior arranha-céu do mundo, tanto em altura quanto em área total.
O projeto, batizado de 'Dubai One', foi apresentado nesta quinta-feira (5) em evento fechado para investidores. Segundo a Emaar, o custo estimado é de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 68 bilhões), o que o coloca como o edifício mais caro já projetado. Para comparação, o Burj Khalifa custou US$ 1,5 bilhão em 2010. A torre terá 200 andares, 150 elevadores e um observatório público no topo, além de 1.200 unidades residenciais de luxo que já começam a ser vendidas a partir de US$ 5 milhões (R$ 28,5 milhões) — um recorde de preço por m² no mercado imobiliário global.
A novidade chega em um momento de aquecimento do mercado imobiliário de Dubai. Segundo o banco JPMorgan, os preços dos imóveis na cidade subiram 18% no primeiro semestre de 2026, puxados pela alta demanda de estrangeiros, especialmente de asiáticos e europeus. A Emaar afirma que o Dubai One terá 'a maior concentração de tecnologia sustentável já vista em um edifício', incluindo fachadas com painéis solares e sistema de resfriamento inteligente que promete reduzir o consumo de energia em 40% em relação a um prédio convencional.
Especialistas veem o lançamento como um marco também para o mercado de investimentos. 'O Dubai One não é apenas uma obra de engenharia, é um teste de apetite do capital global por ativos ultra-premium', comenta Mariana Almeida, analista da consultoria SiiLA. 'Se as vendas das unidades mais caras se confirmarem, isso pode pressionar os preços em outros mercados de luxo, como São Paulo e Miami.' No Brasil, a notícia já gera expectativa no setor: a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) deve discutir o impacto do 'efeito Dubai' no próximo encontro trimestral, marcado para setembro, mas a entidade ainda não se pronunciou oficialmente.
Para o investidor brasileiro, a curiosidade histórica tem um efeito prático: o recorde reforça a tese de que o setor imobiliário de alto padrão segue como um dos refúgios mais procurados do mundo, mesmo com a Selic em 12,75% ao ano — patamar mantido pelo Copom na última reunião de julho. 'Enquanto o custo do crédito no Brasil continua alto, o capital estrangeiro busca destinos como Dubai, mas isso não significa que o mercado nacional esteja parado: os fundos imobiliários de tijolo, por exemplo, já acumulam alta de 6% no trimestre, segundo a B3', explica Ricardo Siqueira, sócio da consultoria Brain.
Com a promessa de se tornar um novo ícone global, o Dubai One deve ser um dos temas centrais da Expo Real 2026, prevista para outubro, em São Paulo. A Emaar confirmou que levará uma maquete em escala real de um dos andares ao evento. Enquanto isso, o mercado observa: será que a torre de 1.000 metros vai se pagar? A resposta, segundo a construtora, virá com as primeiras vendas, que começam ainda neste mês de agosto. Para quem acompanha o setor, é uma boa oportunidade de entender para onde está indo o dinheiro no mercado imobiliário mundial.


