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Loteria: ganhador de R$ 201 milhões em SP some após 12 dias e advogado revela o motivo

Bilhete premiado da Mega-Sena foi registrado em uma lotérica de Piracicaba; ganhador já contratou segurança privada e pode mudar de cidade antes de resgatar o prêmio integral.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Loteria: ganhador de R$ 201 milhões em SP some após 12 dias e advogado revela o motivo

O bilhete de sete dezenas que faturou R$ 201,4 milhões no concurso 2.847 da Mega-Sena, sorteado no último dia 6 de setembro em São Paulo, ainda não foi apresentado à Caixa Econômica Federal. O prazo regular de resgate é de 90 dias, mas o silêncio do ganhador já virou o assunto mais comentado entre lotéricos e advogados especializados em direito patrimonial neste mês. Segundo apurou a reportagem com duas fontes ligadas à rede lotérica, o vencedor é um comerciante de 43 anos, morador de Piracicaba, no interior paulista, que registrou a aposta simples de R$ 5 em uma unidade do bairro Vila Rezende.

A demora tem explicação prática. De acordo com o advogado tributarista Renato Casseb, que atende ganhadores de loteria há 11 anos, o primeiro passo de qualquer premiado deveria ser abrir uma holding patrimonial antes de retirar o dinheiro. "A Caixa credita o valor integral, mas o Imposto de Renda já é retido na fonte em 30% sobre o rendimento. O que muita gente não sabe é que, sem planejamento, esse patrimônio vira alvo de inventário caro, divórcio e até sequestro-relâmpago", afirmou. Casseb calcula que, no caso de Piracicaba, o ganhador deve receber cerca de R$ 140,9 milhões líquidos — valor que, aplicado hoje em um CDB de 105% do CDI, renderia aproximadamente R$ 1,4 milhão por mês, segundo simulação da XP Investimentos feita a pedido da reportagem.

O caso ganhou contornos de novela na última quarta-feira (16), quando o próprio ganhador ligou para a rádio local pedindo que seu nome não fosse divulgado. Ele contou que já mudou de telefone, trocou a fechadura de casa e contratou uma empresa de segurança privada de Campinas. "Eu não durmo direito desde o sorteio. Minha filha de 9 anos não está indo à escola. A gente só quer que a poeira baixe", disse, em áudio obtido pela rádio. A Caixa informou, em nota, que não comenta casos individuais, mas reforçou que o resgate pode ser feito em qualquer agência, mediante apresentação do bilhete original e documento com foto.

O comportamento é mais comum do que parece. Levantamento da Associação Brasileira de Loterias (Abol) obtido com exclusividade mostra que 38% dos ganhadores de prêmios acima de R$ 50 milhões nos últimos cinco anos esperaram mais de duas semanas para sacar o dinheiro. Em 2026, a Mega-Sena já distribuiu R$ 4,7 bilhões em prêmios, alta de 12% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados da Caixa consolidados até agosto. O maior prêmio do ano até agora segue sendo o concurso 2.801, de março, que pagou R$ 312 milhões a um apostador de Belo Horizonte.

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para um erro clássico: gastar antes de investir. "O ganhador médio compra três carros, duas casas e um barco nos primeiros seis meses. Em dois anos, 70% já torrou metade do prêmio", diz a planejadora financeira Marina Tavares, da Planejar. A recomendação é destinar ao menos 80% do valor a uma carteira diversificada — Tesouro IPCA+, fundos imobiliários e crédito privado de baixo risco — e só depois pensar em imóveis ou negócios próprios.

Enquanto isso, o mistério em Piracicaba continua. A lotérica da Vila Rezende recebeu faixa de "unidade premiada", mas o dono do estabelecimento, João Aparecido Ferraz, garante que não sabe quem é o ganhador. "Aqui passam 600 pessoas por dia. Pode ser o padeiro, pode ser o advogado, pode ser o vereador. Só sei que, quando ele aparecer, vou pedir uma foto", brincou. O prazo para resgate termina em 5 de dezembro; depois disso, o valor é repassado ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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