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Locação por temporada volta a crescer 23% no trimestre, puxada por turismo interno e home office híbrido

Aluguéis de curta duração em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro registram maior demanda desde 2024, com diárias médias 15% acima do pré-pandemia, segundo dados da AirDNA e Secovi-SP.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Locação por temporada volta a crescer 23% no trimestre, puxada por turismo interno e home office híbrido

Contrariando expectativas de desaceleração, o mercado de locação por temporada no Brasil registrou alta de 23% no número de contratações no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do levantamento mais recente da AirDNA, divulgado nesta semana, e refletem uma mudança estrutural no comportamento do locatário brasileiro.

Segundo o Secovi-SP, a taxa de ocupação média dos imóveis de temporada nas capitais do Sudeste atingiu 78% em junho, a maior para o mês desde 2019. “O que vemos é uma consolidação do home office híbrido: profissionais passam semanas em outras cidades e alugam por temporada, combinando lazer e trabalho”, afirma Carlos Alberto de Oliveira, economista da entidade.

O perfil do inquilino também mudou. Em vez de pacotes de férias de 15 dias, a permanência média caiu para 9 noites, mas a frequência de locações por cliente aumentou 40% na comparação anual. A diária média subiu para R$ 287, ante R$ 249 em 2025, impulsionada por reformas e maior oferta de imóveis com amenities como internet de alta velocidade e estações de trabalho.

A alta da Selic para 10,75% ao ano, decidida na última reunião do Copom em maio, não freou o movimento. Pelo contrário: com o crédito imobiliário mais caro, muitos optaram por adiar a compra e migrar para o aluguel de curta duração. “O custo de oportunidade de imobilizar capital em um imóvel próprio cresceu”, explica a analista da Anbima, Renata Lopes.

Para investidores, o momento é de atenção. Embora a rentabilidade na locação por temporada supere em até 35% o aluguel tradicional em bairros nobres, a vacância ainda preocupa: 12% dos imóveis cadastrados ficaram sem locação por mais de 60 dias no trimestre. “Quem não fizer uma gestão ativa de preços e marketing digital vai perder espaço”, alerta a plataforma QuintoAndar, que registrou aumento de 18% na oferta de imóveis para temporada em julho.

A perspectiva para o terceiro trimestre é de estabilidade, com a expectativa de que a inflação de serviços (IPCA a 4,2% em junho) e a manutenção dos juros elevados continuem a favorecer a locação de curto prazo. O conselho de especialistas ouvidos é: diversifique entre diárias e mensais, e foque em imóveis com nota alta em avaliações — a reputação digital virou o principal diferencial competitivo.

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