Locação por temporada em alta: 5 cidades brasileiras com maior retorno em 2026
Enquanto o aluguel tradicional desacelera, a temporada explode em capitais litorâneas e no interior. Levantamento do Secovi-SP revela os municípios onde o rendimento mensal supera R$ 12 mil.
O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição neste terceiro trimestre de 2026. Dados do Secovi-SP, divulgados nesta semana, apontam que a procura por imóveis de curta duração cresceu 23% entre janeiro e agosto, impulsionada pelo turismo doméstico e pela chegada de estrangeiros para eventos como a COP 31, marcada para novembro em Belém.
Um levantamento realizado pela plataforma de gestão de aluguel temporário AlugueTemporada, com base em dados de reservas dos últimos três meses, revela que as cinco cidades com maior retorno financeiro são: Florianópolis, com diária média de R$ 780 e ocupação de 82%; Maceió, com R$ 650 e ocupação de 78%; Gramado, com R$ 520 e ocupação de 90% (puxada pela temporada de inverno, que se estendeu); Campos do Jordão, com R$ 580 e ocupação de 74%; e Trancoso, na Bahia, com R$ 1.200 e ocupação de 65%.
Em Florianópolis, o rendimento mensal de um apartamento de dois quartos na beira-mar chega a R$ 12,3 mil, considerando a ocupação média e descontadas as taxas de plataforma. O número representa uma rentabilidade anual de 9,7% sobre o valor do imóvel (avaliado em torno de R$ 1,5 milhão), bem acima do retorno do aluguel tradicional na mesma região, que gira em torno de 4,5% ao ano, segundo o índice FipeZap de agosto.
Esse desempenho tem atraído investidores que, até então, preferiam contratos de longo prazo. O CEO da AlugueTemporada, Marcos Prado, explica que "a mudança de comportamento do locatário, que busca flexibilidade e experiências, aliada à alta da Selic em 12,25% ao ano, tem feito o investidor migrar para ativos que oferecem maior liquidez e potencial de ganho". No entanto, ele ressalta que a temporada exige gestão ativa e conhecimento do mercado local.
A tendência não se restringe ao litoral. Cidades como Belo Horizonte e São Paulo registraram aumento de 35% nas reservas de imóveis por temporada para estadias de negócios, segundo a Associação Brasileira de Intermediação e Locação (AbraLoc). O perfil do viajante corporativo mudou: muitos permanecem por semanas ou meses, e preferem apartamentos mobiliados a hotéis, o que eleva a ocupação média em períodos de baixa temporada.
Para quem está considerando entrar nesse mercado, especialistas recomendam atenção à legislação municipal, que em algumas cidades como São Paulo exige cadastro e cobrança de taxas. Além disso, é fundamental precificar corretamente, usando ferramentas que acompanham a demanda em tempo real, e manter o imóvel com padrão de hotel.
A conclusão é clara: a locação por temporada deixou de ser sazonal e virou um investimento estratégico. Com a proximidade da COP 31 e do verão, a tendência é que os preços das diárias continuem subindo nas próximas semanas, principalmente no Norte e no Nordeste. Quem se antecipar agora pode garantir os melhores imóveis e os maiores retornos do ano.


