Locação por temporada dispara 32% no trimestre e muda perfil do investidor brasileiro
Dados do Secovi-SP mostram que a busca por imóveis para locação de curta duração cresceu 32% no segundo trimestre de 2026, impulsionada por flexibilização do home office e novo ciclo de viagens domésticas.

O mercado de aluguel por temporada no Brasil vive um novo boom em 2026. Levantamento do Secovi-SP divulgado nesta semana aponta que a procura por imóveis para locação de curta duração cresceu 32% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço é puxado pela consolidação do trabalho híbrido e pelo aumento de viagens domésticas de lazer.
Segundo o índice FipeZap de aluguel, as diárias em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis subiram, em média, 8,7% nos últimos três meses. Em bairros como Pinheiros (SP) e Leblon (RJ), a valorização chega a 12% no período. "O investidor que antes comprava para aluguel tradicional agora migra para o temporada, onde o retorno bruto pode chegar a 1,2% ao mês sobre o valor do imóvel", afirma o diretor de economia da Abrainc, Luís Otávio Barros, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.
O movimento é reforçado por dados da B3: as emissões de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) voltados para flats e hotéis residenciais somaram R$ 4,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 27% ante o mesmo período do ano passado. "O mercado está se estruturado para capturar essa demanda, com produtos financeiros dedicados", explica analista da Anbima.
No entanto, a alta demanda também pressiona os preços e gera debates regulatórios. Em São Paulo, a Câmara Municipal aprovou em junho uma lei que exige cadastro de imóveis para locação por temporada em áreas residenciais. "A medida busca equilibrar o direito ao sossego dos moradores permanentes com o crescimento econômico", disse o vereador relator da proposta. A expectativa é que outras cidades sigam o exemplo nos próximos meses.
Para o investidor, a dica dos especialistas é focar em imóveis com boa localização e infraestrutura para autoatendimento — como cozinha equipada e internet de alta velocidade. "Quem compra pensando em temporada precisa entender que a gestão é mais intensa que o aluguel tradicional, mas a rentabilidade compensa", conclui Barros, da Abrainc. Com a tendência de valorização contínua e a adaptação legal em curso, 2026 se consolida como o ano da virada do aluguel de curta duração no Brasil.
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