Locação por temporada dispara 32% no trimestre; aluguel tradicional recua 4% em julho
Dados do Secovi-SP mostram que contratos de temporada dominam o mercado residencial brasileiro no terceiro trimestre de 2026, enquanto aluguéis de longo prazo perdem espaço com a alta da Selic e o novo ciclo de crédito imobiliário.

O mercado de locação no Brasil vive uma inflexão histórica. Dados divulgados nesta semana pelo Secovi-SP indicam que os contratos de aluguel por temporada cresceram 32% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Enquanto isso, os aluguéis tradicionais de longo prazo recuaram 4% apenas em julho, pressionados pela queda na oferta e pela migração de proprietários para a modalidade de temporada.
A elevação da Selic a 10,25% ao ano, mantida pelo Copom na reunião de junho, encareceu o crédito e reduziu a atratividade de imóveis para renda fixa locatícia. Segundo relatório da Abrainc divulgado no início de julho, 68% dos novos lançamentos imobiliários no trimestre atual têm permissão para uso misto (residencial e locação por temporada), ante 45% no mesmo período de 2025.
No Rio de Janeiro e em Florianópolis, a procura por imóveis de temporada para o verão de 2027 já começou. A plataforma QuintoAndar reportou que o número de buscas por estadias de 7 a 30 dias cresceu 41% nas últimas duas semanas. “O turista está mais seletivo. Busca imóveis com Wi-Fi de alta velocidade, cozinha equipada e espaço para home office”, afirma o diretor de operações da plataforma em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.
Enquanto isso, o aluguel residencial tradicional enfrenta um encolhimento na oferta. Dados do FipeZap de julho mostram que o índice de aluguéis residenciais variou 0,12% no mês, bem abaixo da inflação projetada (0,38% pelo IPCA de junho). O presidente do Secovi-SP, em nota, atribuiu o movimento à “preferência dos investidores por contratos de temporada, que oferecem rentabilidade até 40% maior, mesmo com maior vacância”.
A tendência deve se intensificar com a aprovação do PL 4.182/2026 na Câmara na última quarta-feira (22/7), que unifica regras tributárias para locação por temporada em todo o país. A expectativa é de que o texto vá ao Senado em agosto e entre em vigor ainda neste semestre, simplificando o recolhimento de ISS e IR para proprietários e plataformas digitais.
Para quem busca investir no setor, a recomendação dos analistas consultados é focar em imóveis compactos (30 a 50 m²) em áreas centrais com alta demanda turística. “O investidor que não se adaptar ao modelo de temporada corre o risco de ver seu imóvel desvalorizar”, alerta o economista-chefe da Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), em relatório de agosto (prévia).
Conclusão: O mercado de locação brasileiro está se dividindo entre o boom da temporada e a estagnação dos aluguéis tradicionais. Para o investidor, a chave é diversificar e se preparar para a mudança regulatória que vem aí.


