Locação por temporada cresce 23% no 2º tri de 2026, impulsionada por plataformas digitais
Dados do Secovi-SP mostram que contratos curtos de aluguel atingiram recorde no trimestre, com destaque para capitais do Nordeste e interior de SP. Mudança no comportamento do inquilino acelera migração para locações flexíveis.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de forte expansão. De acordo com o último relatório do Secovi-SP, divulgado na quarta-feira (15), os contratos de aluguel de curta duração (até 90 dias) cresceram 23% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento, que compila dados de imobiliárias associadas em 12 estados, aponta que capitais como Fortaleza, Salvador e Recife lideram a alta, com aumento médio de 31% no número de locações temporárias.
O que explica esse movimento? Especialistas ouvidos pela Perspectiva Imobiliária apontam uma combinação de fatores: a consolidação do trabalho remoto, que permite estadias mais longas em cidades turísticas, e a maior oferta de imóveis mobiliados via plataformas digitais. “O inquilino de 2026 busca flexibilidade. Ele quer poder mudar de cidade ou até de bairro a cada trimestre, sem amarras longas. A locação por temporada atende exatamente a essa demanda”, afirma Marina Siqueira, economista da Fipe, em entrevista ao portal.
Os preços, por sua vez, seguem acomodados. O aluguel médio por temporada subiu apenas 2,1% no trimestre, bem abaixo da inflação estimada pelo IPCA (que deve fechar junho em 4,8% no acumulado de 12 meses). Segundo a Associação Brasileira de Locadores (ABL), a estabilidade se deve ao aumento da concorrência entre proprietários, que passaram a oferecer pacotes com internet, limpeza e seguro incluídos para atrair inquilinos de médio prazo.
No interior paulista, cidades como Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto também registraram alta nas locações temporárias, puxadas por profissionais que atuam em grandes empresas de tecnologia e preferem não fixar residência. “Muitos executivos de startups estão optando por alugar casas por três ou quatro meses, enquanto avaliam se a cidade se encaixa no estilo de vida da família”, comenta Luís Cláudio, diretor do Secovi-SP.
Contudo, o movimento não se restringe ao público corporativo. Dados do Airbnb, divulgados no início de julho, mostram que 40% das reservas no Brasil para o inverno de 2026 foram feitas por famílias com crianças, que buscam imóveis com infraestrutura completa por períodos de 30 a 60 dias. O perfil do locatário por temporada está mais diversificado, e isso pressiona o mercado a se profissionalizar.
Para quem deseja investir em imóveis para locação temporária, a recomendação dos analistas é clara: aposte em unidades bem localizadas, mobiliadas e com serviços inclusos. O retorno médio anual estimado pela Anbima para esse tipo de ativo gira em torno de 7% a 9%, superando o CDI, que nesta semana está em 5,75% ao ano. Porém, é preciso atenção à gestão: a vacância entre contratos curtos pode ser maior do que na locação tradicional.
A tendência, segundo fontes do mercado, é que a locação por temporada continue ganhando espaço nos próximos meses, especialmente com a chegada da alta temporada de verão. O Banco Central, em seu último Relatório de Estabilidade Financeira (junho de 2026), destacou que o crédito imobiliário segue aquecido, com novos lançamentos focados em plantas flexíveis que podem ser adaptadas tanto para locação residencial longa quanto para temporada. O futuro do aluguel no Brasil parece cada vez mais sob medida para quem não quer prazos fixos.


