Lisboa, Miami e Dubai: qual desses mercados imobiliários vai explodir em 2026?
Enquanto Lisboa freia aluguéis e Dubai vive boom recorde, Miami desaba com juros altos. Veja os números de julho que mostram para onde o dinheiro está correndo.

O mercado imobiliário global está em rota de colisão neste terceiro trimestre de 2026. Dados divulgados nesta semana mostram que as quatro cidades mais monitoradas por investidores estrangeiros — Lisboa, Miami, Dubai e Tóquio — seguem trajetórias opostas, revelando uma fragmentação rara no setor.
Em Lisboa, a crise de oferta se agravou. Segundo o Instituto Nacional de Estatística português, os preços de venda subiram 18% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, o governo aprovou neste mês uma nova lei de congelamento de aluguéis para contratos novos, o que gerou pânico entre investidores. A Associação Lisbonense de Proprietários estima que 12 mil imóveis foram retirados do mercado de locação desde junho.
Miami, por outro lado, vive uma correção brusca. Dados do Miami Association of Realtors de julho mostram queda de 8% no preço médio do metro quadrado em relação ao pico de janeiro. O Federal Reserve manteve a taxa básica em 6,25% na última reunião, e isso travou o crédito imobiliário. Os condomínios de luxo em Brickell, que chegaram a US$ 1.500 o m², agora são negociados a US$ 1.200, segundo o Zillow.
Dubai, ao contrário, vive um boom sem precedentes. Em junho, foram registradas 12.500 transações, recorde histórico mensal, segundo o Dubai Land Department. O mercado se beneficia da chegada de empresas de tecnologia e da inflação imobiliária global. O preço médio de uma cobertura no Palm Jumeirah subiu 22% no primeiro semestre de 2026. O governo local já sinalizou que pode aumentar taxas para investidores estrangeiros ainda em 2026.
Tóquio, por sua vez, mantém estabilidade com leve alta. O índice de preços residenciais do Japan Real Estate Institute subiu 3,2% no trimestre atual, impulsionado pela demanda doméstica e pelo iene desvalorizado. Mas o Banco do Japão sinalizou alta de juros em setembro, o que pode frear o mercado.
Para o investidor brasileiro, o momento exige atenção. Enquanto Dubai e Lisboa oferecem oportunidades de alta — mas com riscos regulatórios — Miami entra em zona de espera. Já Tóquio atrai quem busca estabilidade a longo prazo, mas com retorno menor. A recomendação de analistas da B3 e da Secovi-SP é diversificar e evitar concentrar capital em mercados no pico do ciclo.


