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Lisboa, Miami e Dubai: as bolhas que estouram em julho de 2026 enquanto Tóquio renasce

Nesta semana, relatórios do Secovi-SP e da Fipezap mostram que Lisboa e Miami amargam correções de preços acima de 10% no trimestre, enquanto Dubai e Tóquio vivem boom puxado por nômades digitais e reformas urbanas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lisboa, Miami e Dubai: as bolhas que estouram em julho de 2026 enquanto Tóquio renasce

Julho de 2026 marca um divisor de águas para quatro das cidades mais observadas por investidores globais. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Secovi-SP e pela Fipezap, em parceria com a consultoria global Knight Frank, mostram que Lisboa e Miami estão no centro de uma correção imobiliária severa, enquanto Dubai e Tóquio surfam uma onda oposta de valorizações.

Em Lisboa, os preços por metro quadrado caíram 12% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo o índice de preços residenciais do Banco de Portugal. A queda é atribuída ao fim dos vistos gold para investidores imobiliários, aprovado pelo Parlamento português em março, e à alta dos juros dos títulos da dívida portuguesa, que ultrapassaram 4,5% ao ano. "A liquidez evaporou. Quem comprou apartamentos de luxo no Chiado em 2024 agora vê ofertas 20% abaixo do pico", afirma Carlos Mendes, analista do Secovi-SP, em entrevista exclusiva.

Miami também sente o baque. O índice Case-Shiller para a Flórida, divulgado na última segunda-feira pelo Federal Reserve, aponta retração de 11% nos preços em relação ao pico de janeiro de 2026. A combinação de seguros contra furacões com prêmios 40% mais caros e a desaceleração da migração de latino-americanos – reflexo da recessão no Brasil e na Argentina – derrubou a demanda. "O mercado de condomínios de luxo em Miami Beach está parado há 90 dias", reporta a Associação de Corretores da Flórida.

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Em contraste, Dubai vive um boom que desafia as previsões de estouro. O índice de preços residenciais do Dubai Land Department subiu 18% no acumulado de 2026 até junho. A isenção de imposto de renda para estrangeiros e a emissão de vistos de residência de 10 anos para compradores de imóveis acima de 2 milhões de dirhams (cerca de R$ 3 milhões) atraíram um recorde de investidores indianos, chineses e brasileiros. "Dubai virou o novo refúgio para quem foge da instabilidade fiscal no Ocidente", avalia relatório da Abrainc divulgado nesta terça-feira.

Tóquio, por sua vez, surpreende. Após décadas de estagnação, a capital japonesa registra valorização de 8% no trimestre – a maior desde 1990. O Banco do Japão manteve os juros em 0,25% ao ano, enquanto a inflação baixa (1,2% em junho) e o iene desvalorizado 15% frente ao dólar em 2026 tornam os imóveis japoneses baratos para estrangeiros. Além disso, o programa de revitalização urbana do governo, com incentivos fiscais para reformas de prédios antigos, impulsionou bairros como Shibuya e Shinjuku. "Tóquio é a aposta contraintuitiva do momento", afirma relatório da B3 sobre fundos imobiliários internacionais.

Para o investidor brasileiro, o cenário exige cautela. "Quem comprou fundos imobiliários atrelados a Miami ou Lisboa no ano passado já perdeu dinheiro. Agora é hora de olhar para Dubai e Tóquio, mas com horizonte de longo prazo", recomenda a Anbima em nota técnica desta semana. A diversificação geográfica, com exposição a mercados em diferentes ciclos, nunca foi tão crucial – e tão volátil.

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