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Lisboa, Miami e Dubai: 3 cidades onde o preço do m² disparou 30% em 2026

Enquanto Tóquio enfrenta a primeira queda em uma década, capitais do sol e da tecnologia veem corrida por imóveis. Saiba onde o dinheiro está indo agora e o que isso significa para investidores brasileiros.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lisboa, Miami e Dubai: 3 cidades onde o preço do m² disparou 30% em 2026

O mercado imobiliário global vive uma divisão clara neste terceiro trimestre de 2026. Enquanto Lisboa, Miami e Dubai registram altas de até 30% no preço do metro quadrado, Tóquio amarga a primeira queda relevante em dez anos. Os dados são do relatório global de preços residenciais divulgado nesta semana pela consultoria Knight Frank, que monitora 45 cidades.

Lisboa lidera o ranking com alta de 31% nos últimos 12 meses, puxada pela migração de nômades digitais e pela entrada de fundos imobiliários dos EUA e do Brasil. Só no mês de agosto, o preço médio do m² na capital portuguesa chegou a R$ 48 mil, segundo o índice local Confidencial Imobiliário. A pressão é tanta que a Câmara Municipal aprovou, no início deste mês, novas restrições a aluguéis de curta duração no centro histórico.

Miami aparece em seguida, com alta acumulada de 27% no trimestre atual, impulsionada pela chegada de brasileiros e por uma onda de lançamentos de alto padrão na região de Brickell e Aventura. Nos últimos 30 dias, mais de R$ 12 bilhões foram investidos por brasileiros em imóveis na Flórida, segundo levantamento da Associação Brasileira de Relações Internacionais (Abrair). Já Dubai, que continua atraindo capital estrangeiro com isenções fiscais, viu os preços subirem 22% neste ano, com o m² médio na área da Dubai Marina chegando a R$ 60 mil.

Enquanto isso, Tóquio vive o movimento oposto. O preço médio de apartamentos na capital japonesa caiu 4% no segundo trimestre, a primeira queda anual desde 2016, segundo o Japan Real Estate Institute. A combinação de juros mais altos, população em declínio e excesso de oferta de imóveis novos derrubou a demanda. Investidores estrangeiros, que antes viam Tóquio como porto seguro, estão migrando seus recursos para os mercados do sol e da tecnologia, onde o retorno anual com aluguel chega a 6%, contra 3,5% no Japão.

Para o investidor brasileiro, o momento exige cautela e seletividade. Enquanto Miami e Lisboa podem oferecer ganhos rápidos, a valorização acelerada levanta sinais de alerta para bolhas. Especialistas do Banco Central, no último Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta semana, alertam que o endividamento global das famílias em mercados como o americano e o português atingiu níveis de 2008. "Não é hora de entrar de cabeça em qualquer cidade que subiu 30%", afirma André Guedes, sócio da consultoria Guedes & Associados.

A recomendação é diversificar. Enquanto Lisboa e Miami têm potencial de curto prazo, Dubai oferece oportunidades com renda de aluguel acima da média. Tóquio, por outro lado, pode se tornar uma opção para quem busca preços baixos e rendimentos crescentes, já que a queda atual é mais uma correção do que uma crise estrutural. O momento pede análise de indicadores locais, como fluxo de empregos, vacância e regras de financiamento, antes de assinar qualquer contrato.

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