Lançamentos imobiliários de alto padrão disparam em Balneário Camboriú e SP no 2º trimestre de 2026
Com novos recordes de vendas em Balneário Camboriú e estoques enxutos em São Paulo, as incorporadoras aceleram lançamentos de luxo. Dados do Secovi-SP e da Abrainc mostram que o trimestre atual já supera o mesmo período de 2025.

O mercado imobiliário de alto padrão vive um momento de euforia em Balneário Camboriú e São Paulo. Dados divulgados nesta semana pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostram que os lançamentos de unidades de luxo (acima de R$ 2 milhões) cresceram 34% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Só em Balneário Camboriú, foram lançados 1.200 apartamentos de alto padrão entre abril e junho, puxados por projetos como o Yachthouse Residence Club (fase 3) e o One Tower (ampliação). A cidade catarinense, que já tem o metro quadrado mais caro do Brasil (R$ 18.500 em média, segundo o FipeZap), viu seus estoques caírem para menos de três meses de venda.
Em São Paulo, os lançamentos também aceleraram. Dados do Secovi-SP indicam que, em junho, houve 2.800 novos apartamentos lançados na capital, sendo 40% deles em bairros como Vila Nova Conceição, Jardins e Itaim Bibi. O preço médio do metro quadrado nesses bairros atingiu R$ 16.200, alta de 8% em relação a dezembro de 2025. “O mercado de alto padrão está aquecido pela combinação de juros estáveis após a manutenção da Selic em 10,75% pelo Copom de maio, e pela forte demanda de investidores estrangeiros, especialmente argentinos e chilenos”, afirma Maria Fernanda Oliveira, diretora de pesquisa da Abrainc.
O Rio de Janeiro, embora com menos lançamentos de alto padrão, registrou seu melhor trimestre desde 2020 na categoria de médio padrão (R$ 800 mil a R$ 1,5 milhão). A Secovi-Rio aponta que foram lançadas 1.500 unidades no segundo trimestre, concentradas na Barra da Tijuca e no Recreio. “O Rio está se beneficiando do crescimento do setor de tecnologia e da estabilidade política, que trouxe de volta a confiança do comprador”, comenta o presidente do Secovi-Rio, Leonardo Gomes, em entrevista ao portal.
Para investidores, a dica dos analistas é ficar de olho nos empreendimentos ainda na planta, especialmente aqueles com entrega prevista para 2028 ou 2029. Segundo relatório da Anbima divulgado quarta-feira passada, os fundos imobiliários de tijolo (que investem em imóveis físicos) apresentaram rentabilidade média de 9,5% no primeiro semestre de 2026, com destaque para os expostos ao setor residencial de alto padrão.
A tendência, conforme as incorporadoras, é que o ritmo de lançamentos se mantenha forte no segundo semestre. “Estamos com uma pipeline de 15 novos projetos para os próximos seis meses, a maioria em Balneário e em SP”, afirma o CEO de uma das maiores construtoras do país, em condição de anonimato. O mercado respira otimismo, mas especialistas alertam: a taxa de juros americana, que subiu 0,25 ponto na última reunião do Fed em junho, pode frear o fluxo de capital estrangeiro se continuar a subir.


