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Lançamentos em SP somam R$ 3,2 bi em agosto e batem recorde do ano

Vendas de imóveis novos na capital paulista crescem 18% no mês e puxam fila de lançamentos; incorporadoras já anunciam novos projetos para outubro, mas preço do metro quadrado assusta.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lançamentos em SP somam R$ 3,2 bi em agosto e batem recorde do ano

Os lançamentos imobiliários na cidade de São Paulo somaram R$ 3,2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em agosto, o maior volume mensal de 2026, segundo levantamento exclusivo da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) obtido com exclusividade. O número representa alta de 18% sobre julho e de 27% na comparação com agosto do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, o VGV lançado já alcança R$ 21,7 bilhões, superando todo o primeiro semestre de 2025.

O desempenho é puxado por bairros fora do eixo tradicional. A zona leste lidera com 31% dos lançamentos do mês, concentrados em Tatuapé, Anália Franco e Penha. Na sequência vêm a zona sul (24%), com destaque para Campo Belo e Vila Mariana, e a região metropolitana (19%), que inclui Guarulhos e Osasco. “O comprador está disposto a pagar mais por metragem maior e proximidade com o metrô”, afirma Renata Fonseca, economista da Abrainc.

O preço médio do metro quadrado novo na capital fechou agosto a R$ 14.890, alta de 9,4% em 12 meses, de acordo com o Índice FipeZap. O avanço supera a inflação acumulada no período e preocupa especialistas. “A velocidade de venda está maior que a de reposição de estoque em algumas regiões. Isso pressiona o preço e reduz o poder de compra”, explica Fonseca. O estoque atual é de 28,4 mil unidades, o menor desde março de 2024.

No Rio de Janeiro, o mercado segue ritmo diferente. Os lançamentos somaram R$ 1,4 bilhão em agosto, queda de 6% sobre julho, mas ainda 12% acima de agosto de 2025. A Zona Portuária e o Centro concentram 40% dos novos projetos, impulsionados pelo programa Reviver Centro. Já Balneário Camboriú mantém a fama de metro quadrado mais caro do país: R$ 27.300/m², com três lançamentos de alto padrão anunciados só nesta semana, todos com VGV acima de R$ 300 milhões.

O cenário de juros ainda é o principal fator de risco. Na última reunião do Copom, em 9 de setembro, a Selic foi mantida em 10,75% ao ano, mas o comunicado acendeu alerta sobre pressão inflacionária no setor de serviços. Para o gerente de crédito imobiliário do Banco Central, a taxa média de financiamento habitacional está em 11,2% ao ano, a maior desde 2023. “Cada 0,5 ponto na Selic tira cerca de 40 mil famílias da capacidade de compra”, calcula a Abrainc.

Ainda assim, as incorporadoras apostam em outubro. Cyrela, MRV e Direcional já anunciaram 14 novos empreendimentos para o próximo mês, somando VGV potencial de R$ 4,1 bilhões. A expectativa é que o lançamento de unidades econômicas — faixa de R$ 240 mil a R$ 350 mil — cresça com o novo teto do Minha Casa Minha Vida, que passou a R$ 400 mil em agosto. “O programa é a âncora do mercado neste momento”, diz o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que projeta alta de 6% no PIB da construção em 2026.

Para o investidor, a leitura é clara: o mercado primário está aquecido, mas o retorno por aluguel na capital paulista caiu para 4,8% ao ano, o menor da série histórica. Quem busca renda precisa olhar para bairros em transformação, como Barra Funda e Vila Leopoldina, onde o yield ainda bate 6,5%. Já em Balneário Camboriú, o foco é valorização patrimonial: imóveis entregues há três anos registram ganho real de 22%, segundo a Secovi-SP. O momento é de oportunidade seletiva, não de euforia generalizada.

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