Lançamentos em SP somam R$ 18,4 bi no trimestre, maior volume desde 2019
Com Selic a 10,25% e crédito mais barato, incorporadoras aceleraram o lançamento de 14,2 mil unidades na Grande São Paulo só entre julho e setembro; bairros fora do eixo tradicional lideram a alta.

As incorporadoras que atuam na Grande São Paulo lançaram 14,2 mil unidades residenciais entre julho e setembro deste ano, somando R$ 18,4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). É o maior volume trimestral desde o quarto trimestre de 2019, segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) com a FipeZap, divulgado nesta segunda-feira (14). Na comparação com o mesmo período de 2025, o salto é de 31,7% em número de unidades e de 44% em valor.
O movimento vem sendo destravado pelo ciclo de queda da Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica para 10,25% ao ano na reunião da semana passada — o sétimo recuo consecutivo —, e o efeito já aparece no bolso de quem financia. Segundo simulação do Secovi-SP, um imóvel de R$ 800 mil financiado em 30 anos pelo Sistema de Amortização Constante (SAC) ficou R$ 612 mais barato por mês em relação a setembro de 2025, quando a Selic estava em 14,75%.
"O lançamento é a ponta mais sensível do mercado. Quando o custo do crédito cai, o incorporador antecipa o estoque porque sabe que a velocidade de venda aumenta", explica Renata Villela, economista da Abrainc. A velocidade de vendas (VSO) na capital paulista atingiu 12,8% no trimestre, contra 9,4% um ano antes, o melhor patamar para o período desde 2020.
O mapa dos lançamentos, porém, mudou. Bairros fora do eixo Jardins–Itaim–Vila Olímpia concentraram 61% das novas unidades. A liderança é de Pirituba, na zona oeste, com 1.940 unidades e preço médio de R$ 9.870 o metro quadrado — alta de 18,3% em 12 meses, a maior entre os 32 distritos monitorados. Na sequência aparecem Tatuapé (1.610 unidades), Vila Mariana (1.480) e o eixo Água Branca–Barra Funda (1.210), impulsionado pela entrega da estação Palmeiras–Barra Funda da linha 6-Laranja do metrô.
No Rio de Janeiro, o trimestre trouxe 6,1 mil unidades lançadas, VGV de R$ 7,3 bilhões, com destaque para a Zona Portuária e para o eixo da Transcarioca. Já Balneário Camboriú segue com o metro quadrado mais caro do país: R$ 27.400/m² na média, segundo o Índice FipeZap de agosto, e lançamentos que ultrapassam R$ 60 mil/m² na Barra Sul. O município catarinense respondeu por 1,4 mil unidades no trimestre, quase todas acima de R$ 3 milhões.
O financiamento é o principal combustível. Os desembolsos da poupança para crédito imobiliário somaram R$ 98,6 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 21% na comparação anual, conforme dados do Banco Central. No mesmo período, as emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) na B3 chegaram a R$ 42,3 bilhões, recorde para o período — e as incorporadoras já sinalizam que parte desse dinheiro vai para novos projetos no quarto trimestre.
Para o investidor, o recado é de atenção ao ciclo. Analistas ouvidos pela reportagem projetam Selic entre 9% e 9,5% no fim de 2026, o que deve sustentar a demanda por imóveis na planta, mas alertam para o risco de excesso de oferta em regiões que dispararam agora. "Quem entra hoje em Pirituba ou Barra Funda está comprando um ciclo de valorização que já rodou 18% em um ano. O ganho maior tende a vir de quem trava preço de lançamento e segura o ativo por cinco anos, não de quem compra pronto para revender rápido", resume o consultor Bruno Tavares, da Brain Inteligência de Mercado.


