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Lançamentos em SP: 12 novos prédios somam R$ 4,2 bi e miram o metro quadrado de R$ 27 mil

Entre a Vila Olímpia e o Tatuapé, incorporadoras colocaram 3.800 unidades no mercado só neste mês — e o preço médio do lançamento já supera o do usado em 38%.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Lançamentos em SP: 12 novos prédios somam R$ 4,2 bi e miram o metro quadrado de R$ 27 mil

Quem passou pela Avenida Faria Lima na última semana viu tapumes novos em pelo menos três terrenos que estavam vazios desde 2023. Não é coincidência: só neste mês de setembro, incorporadoras associadas à Abrainc colocaram no mercado paulistano 12 lançamentos residenciais que somam R$ 4,2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) e 3.800 unidades. O ticket médio do metro quadrado nesses empreendimentos bateu R$ 27.100, segundo levantamento da consultoria Brain Inteligência Estratégica obtido com exclusividade — 9,7% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

O movimento tem um gatilho claro: a queda da Selic. Depois de o Copom cortar a taxa básica para 8,75% na reunião da semana passada, o custo do crédito imobiliário caiu para a menor média desde 2021. Bancos como Itaú e Bradesco já anunciaram linhas com juros de 9,2% ao ano mais TR para imóveis novos, o que empurrou a parcela de um financiamento de R$ 1 milhão para perto de R$ 8.900 — R$ 620 menos do que há seis meses. É esse alívio que está destravando a decisão de compra de quem estava na sala de espera desde o fim de 2025.

Na Vila Olímpia, a Cyrela lançou nesta terça-feira (15) o Vivid Faria Lima, torre única de 42 andares com 220 apartamentos de 138 a 310 m². O metro quadrado saiu a R$ 34.800 — o mais caro da região em 2026. Já o Tatuapé, na zona leste, concentra o maior volume: são quatro empreendimentos simultâneos, com destaque para o Reserva Anália Franco, da Even, que oferece estúdios de 28 m² a partir de R$ 419 mil e já vendeu 62% das 480 unidades em duas semanas de plantão. "O comprador voltou, mas voltou mais seletivo. Ele compara acabamento, prazo de entrega e, principalmente, o custo do condomínio", diz Ricardo Yazbek, presidente do Secovi-SP.

O fenômeno não é exclusivo de São Paulo. No Rio, a construtora Mozak entregou nesta segunda-feira (14) a licença de construção do primeiro residencial do novo bairro planejado da Zona Portuária, com 900 unidades e VGV de R$ 1,1 bilhão. Em Balneário Camboriú, a FG Empreendimentos iniciou as vendas do Yachthouse II, com 88 andares e apartamentos que chegam a R$ 48 milhões — o metro quadrado na cidade catarinense já é o segundo mais caro do país, atrás apenas da orla de Ipanema, segundo a FipeZap. O dado que assusta: em Balneário, o preço médio do lançamento subiu 21,4% em 12 meses, quase o triplo da inflação projetada para 2026.

Para quem pensa em comprar na planta, o alerta vem da própria Anbima. O prazo médio de entrega dos lançamentos paulistanos subiu para 38 meses — quatro meses a mais do que a média histórica — e o distrato voltou a crescer, atingindo 6,8% dos contratos assinados no primeiro semestre. A recomendação de especialistas é checar o histórico de entrega da incorporadora no site da prefeitura e simular o financiamento com a taxa atual antes de assinar o contrato de compra e venda, já que a correção pelo INCC pode adicionar até 14% ao valor final da unidade.

A leitura do mercado é que o ciclo de lançamentos deve se intensificar até dezembro, com pelo menos mais 18 projetos previstos para a capital paulista e o litoral catarinense. Quem espera uma correção de preços, porém, pode se frustrar: com o custo da construção civil subindo 8,3% no acumulado do ano, segundo o SindusCon-SP, dificilmente as incorporadoras vão segurar o preço do metro quadrado. A janela de oportunidade, dizem os corretores, é agora — antes que a próxima alta da Selic, se vier, devolva o encarecimento da parcela.

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