Lançamentos em Balneário Camboriú sobem 22% e metro quadrado bate R$ 34 mil
No trimestre atual, 14 novos empreendimentos foram lançados na cidade catarinense, com VGV de R$ 3,8 bilhões. Preço médio supera o de São Paulo e Rio; entenda o que está puxando a alta.

Balneário Camboriú segue reescrevendo o mapa do metro quadrado mais caro do Brasil. Segundo levantamento da Abrainc em parceria com a FipeZap, divulgado nesta semana, os lançamentos residenciais na cidade somaram 14 empreendimentos no trimestre atual, alta de 22% sobre o mesmo período de 2025, com VGV total de R$ 3,8 bilhões. O preço médio pedido chegou a R$ 34.200 por metro quadrado, ante R$ 28.900 um ano antes — valor que já supera a média dos bairros mais nobres de São Paulo e do Rio.
O movimento é puxado por dois fatores que se retroalimentam. De um lado, a demanda de investidores de altíssimo padrão, muitos vindos de São Paulo e do exterior, que enxergam na cidade um refúgio de valorização consistente. De outro, a escassez de terrenos na orla central, que empurra os novos projetos para a Barra Sul e para a região da Praia Brava — onde lotes já são disputados a preço de ouro. "O estoque de terrenos na faixa da avenida Atlântica está praticamente zerado. Quem quer lançar na orla hoje precisa comprar um prédio antigo e demolir", explica o diretor de uma incorporadora local que pediu para não ser identificado.
O apetite do investidor não é por acaso. A Selic, que o Copom manteve em 9,75% ao ano na última reunião, de setembro, segue em trajetória de queda gradual, e o rendimento real de aplicações de renda fixa começa a perder atratividade. Com isso, famílias de alta renda voltam a olhar para imóveis de alto padrão como reserva de valor — e Balneário Camboriú virou o endereço preferido dessa fatia do mercado.
Em São Paulo, o comportamento é outro. Os lançamentos na capital paulista cresceram 9% no trimestre, para 42 empreendimentos, segundo a Secovi-SP, mas o preço médio subiu apenas 4,1%, para R$ 12.400 o metro quadrado. A expansão se concentra em bairros como Vila Mariana, Tatuapé e a região da Berrini, com produtos de dois e três dormitórios voltados para o comprador final, não para o investidor. No Rio, o cenário é de estabilidade: 18 lançamentos no trimestre e preço médio de R$ 11.800 por metro quadrado, com a Zona Sul ainda concentrando os projetos de maior valor.
O que explica a diferença? Balneário Camboriú opera num mercado quase à parte, com demanda internacional e um estoque de altíssimo padrão que não encontra paralelo em outras capitais. A cidade catarinense tem hoje o maior arranha-céu residencial do país, e a fila de novos projetos com mais de 40 pavimentos não para de crescer. Para o investidor, o alerta é claro: a valorização de 18% ao ano nos últimos três anos não é garantia de repetição. O próprio mercado local já começa a dar sinais de acomodação no segmento de dois dormitórios, onde o estoque disponível para locação aumentou 12% no último semestre, segundo a Anbima.
A leitura mais equilibrada para quem pensa em entrar agora é separar o joio do trigo. Empreendimentos com vista mar definitiva e localização irrepetível seguem com liquidez e valorização acima da média. Já os lançamentos mais distantes da orla, que surfam a onda de preço, podem enfrentar dificuldade de revenda num horizonte de três a cinco anos. Como sempre, o metro quadrado mais caro do Brasil exige mais do que pressa — exige tese de saída.


