Lançamentos de luxo em Balneário Camboriú batem R$ 40 mil/m² e quebram recorde trimestral
BC puxa a fila dos metros quadrados mais caros do país; SP e Rio respondem com novos empreendimentos de alto padrão e estoque em queda no terceiro trimestre de 2026.

Lançamentos imobiliários de alto padrão em Balneário Camboriú alcançaram preço médio de R$ 40 mil por metro quadrado neste terceiro trimestre, o maior valor já registrado na cidade segundo levantamento da Secovi-SC divulgado nesta semana. Entre julho e agosto, foram oito torres residenciais lançadas na orla e no bairro das Nações, todas com mais de 30 andares e lazer completo — um volume que já supera o total do trimestre anterior e deve elevar o VGV (Valor Geral de Vendas) da cidade para R$ 3,2 bilhões até o fim de setembro, estima a associação.
Enquanto Balneário Camboriú concentra os preços mais altos do país, São Paulo tenta acompanhar o ritmo com uma leva de lançamentos na região do Faria Lima e na Berrini. Dados do Secovi-SP mostram que, neste mês, chegam ao mercado pelo menos quatro empreendimentos comerciais e residenciais de luxo, com metro quadrado entre R$ 28 mil e R$ 35 mil. A oferta, porém, segue restrita: o estoque de imóveis prontos na capital paulista está em 4,8 meses — o menor nível desde 2021 —, o que pressiona os preços para cima e reduz o poder de barganha do comprador.
No Rio de Janeiro, o aquecimento é menos intenso, mas com sinais de virada. Neste mês, a construtora Cyrela lançou um empreendimento no Leblon com unidades a partir de R$ 3,5 milhões, e a incorporadora Carvalho Hosken anunciou a terceira fase de um condomínio na Barra da Tijuca, com previsão de entrega em 2029. Segundo a Abrainc, as vendas de imóveis de alto padrão na cidade cresceram 12% no segundo trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, puxadas pela demanda de investidores que buscam proteção patrimonial diante da volatilidade da renda variável.
O que explica o apetite das incorporadoras por esses lançamentos mesmo com a Selic ainda elevada — o último Copom, realizado em agosto, manteve a taxa em 12,75% ao ano — é a combinação de juros longos em queda no futuro e renda alta concentrada. O financiamento para imóveis de luxo, em geral, é feito à vista ou com prazos curtos, o que reduz a sensibilidade à política monetária. Já para o comprador de primeira moradia, o cenário é mais duro: a Caixa Econômica Federal passou a exigir, desde julho, entrada mínima de 25% para imóveis acima de R$ 1,5 milhão — medida que, na prática, desloca ainda mais a demanda para as faixas mais altas.
Dados do Índice FipeZap de agosto mostram que os preços de imóveis residenciais em Balneário Camboriú subiram 2,3% no mês, acumulando alta de 18,7% em 12 meses. Em São Paulo, a valorização foi de 1,8% no mês e 15,4% no ano, enquanto o Rio ficou um pouco atrás, com 1,2% no mês e 11,9% em 12 meses. Para o consultor imobiliário Eduardo Zaidan, ouvido pela reportagem, o movimento é reflexo da combinação de estoque escasso, renda alta e um certo efeito manada: “Quem tem capital não quer ficar parado vendo o patrimônio derreter com a inflação de custos de construção, que segue acima de 8% ao ano”, afirma.
Diante desse quadro, especialistas recomendam cautela ao investidor que pretende surfar a onda dos lançamentos de luxo. A dica é comparar o preço por metro quadrado com o de imóveis prontos na mesma região, verificar a reputação da construtora e a saúde financeira do empreendimento, além de considerar custos de manutenção e condomínio — que, em torres com piscina, spa e segurança 24 horas, podem superar R$ 2 mil mensais. No Rio, a atenção deve ser redobrada para áreas de risco, enquanto em São Paulo a aposta em regiões consolidadas, como Pinheiros e Vila Nova Conceição, reduz a chance de vacância.
A tendência para o último trimestre de 2026 é de novos recordes, com a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de corte de juros já na reunião de novembro, de acordo com projeções do mercado. Se confirmado, o efeito será duplo: barateia o crédito para incorporadoras e estimula a entrada de novos investidores. Até lá, quem tem liquidez pode aproveitar as condições atuais de negociação — em alguns lançamentos de Balneário Camboriú, as construtoras estão oferecendo condições especiais de pagamento, com parcelas fixas em até 60 meses, para garantir vendas rápidas e abastecer o caixa antes do ciclo de baixa de juros.


