Influenciador revela: paguei R$ 2,3 mi em imóvel e o aluguel cobre tudo
Nesta semana, um dos maiores nomes do Instagram abriu o jogo sobre o investimento que mudou sua vida financeira. Saiba como ele multiplicou o patrimônio e os riscos que escondeu.

Nesta semana, o influenciador e empresário Bruno Carneiro, de 34 anos, dono de um dos maiores canais de finanças pessoais do país, com 8,2 milhões de seguidores no Instagram, revelou em seus stories que desembolsou R$ 2,3 milhões na compra de um apartamento de 112 m² no bairro de Perdizes, em São Paulo. O que chamou a atenção não foi o valor, mas a estratégia: o imóvel, adquirido em junho deste ano, está gerando R$ 12,5 mil de aluguel mensal — o que, segundo ele, cobre integralmente a parcela do financiamento e ainda deixa uma margem de R$ 2 mil.
"Muita gente acha que precisa de milhões para começar. Eu comecei com um studio de R$ 280 mil em 2021, vendi depois de dois anos com lucro de 35%, e fui subindo de degrau. Esse apartamento em Perdizes foi comprado com 30% de entrada, R$ 690 mil, e o restante financiado em 20 anos pela Caixa, com taxa de 9,9% ao ano. A parcela ficou em R$ 10,5 mil, e o aluguel, que já está contratado por 36 meses, paga tudo e ainda sobra", explicou ele, que prefere não revelar o sobrenome completo por segurança.
A escolha de Perdizes não foi aleatória. Segundo o índice FipeZap de agosto, o preço médio do metro quadrado na região subiu 2,3% apenas no último trimestre, puxado pela chegada da linha 6-Laranja do metrô, cuja estação PUC-Cardoso de Melo deve ser inaugurada no primeiro semestre de 2027. "O mercado já precifica a mobilidade. Quem comprou ali há um ano, como eu, já viu o imóvel valorizar 8% no papel", compara Bruno, que também é sócio de uma incorporadora de médio porte.
Para o educador financeiro, o movimento dos influenciadores rumo ao concreto tem explicação: com o Copom mantendo a Selic em 10,75% ao ano na reunião do mês passado, a renda fixa segue atraente, mas o investidor busca proteção contra a inflação de custos de construção, que acumula alta de 6,4% no acumulado de 12 meses até julho, segundo a FGV. "O real estate virou uma espécie de hedge. Quem tem capacidade de alavancagem e escolhe bem a localização está se protegendo e gerando renda", analisa a economista Marina Siqueira, da consultoria MB Associados, em entrevista ao Perspectiva Imobiliária.
Bruno, no entanto, fez questão de alertar sobre os riscos que nem sempre aparecem nas fotos das redes sociais. "Não é porque eu sou influenciador que é fácil. Tive um imóvel vazio por quatro meses em 2023, quando a taxa de vacância no bairro vizinho chegou a 12%. E tem o custo de manutenção, IPTU, condomínio. Hoje, com a renda do aluguel, tudo isso está coberto, mas quem não fizer a conta direito pode quebrar a cara", afirmou. Ele também revelou que recusa cerca de 70% dos contratos de locação que recebe por falta de garantias sólidas.
O caso de Bruno reacende o debate sobre o papel dos influenciadores na educação financeira — e os limites entre informação e venda de sonhos. "A transparência dele é um diferencial. Ele mostra o boleto, o contrato, o extrato. Isso ajuda a criar uma cultura de investimento mais consciente", avalia o diretor de relações institucionais do Secovi-SP, Marcos Andrade. No entanto, Andrade ressalta que nem todo perfil segue o mesmo padrão: "Muitos influencers divulgam retornos irreais, sem contar os riscos. O público precisa desconfiar de promessas de lucro fácil."
Para quem quer seguir um caminho parecido, Bruno recomenda começar por imóveis de até R$ 500 mil em bairros com forte demanda de locação. "Não precisa ser rico para começar. Mas precisa estudar. Eu passo três meses visitando bairros, conversando com porteiros, analisando a oferta antes de comprar. Esses detalhes fazem toda a diferença", conclui. Com sua carteira hoje avaliada em R$ 7,8 milhões, Bruno planeja adquirir mais dois imóveis ainda este ano, mas só em regiões onde a renda média das famílias cresce acima de 10% ao ano.


