Influenciador gasta R$ 12,4 milhões em cobertura na Vila Olímpia e revela estratégia de aluguel
Lucas Rangel, do canal 'Riqueza Sem Filtro', fechou a compra de uma cobertura duplex em São Paulo e planeja transformá-la em renda passiva com locação por temporada — veja os números do negócio.

O influenciador digital Lucas Rangel, que comanda o canal 'Riqueza Sem Filtro' com 4,2 milhões de inscritos, assinou nesta semana a escritura de uma cobertura duplex de 320 m² na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, por R$ 12,4 milhões. O valor representa R$ 38,7 mil por metro quadrado, quase 30% acima da média do bairro, que fechou agosto em R$ 29,8 mil/m² segundo o Índice FipeZap. A informação foi confirmada pela assessoria do criador de conteúdo, que preferiu não revelar o nome do antigo proprietário.
A estratégia por trás da compra é o que chama atenção. Em vez de usar o imóvel como residência fixa — Rangel já mora em uma casa no Morumbi —, o influenciador vai explorar a cobertura como locação por temporada de alto padrão, voltada a executivos estrangeiros e celebridades que passam por São Paulo. A projeção é de diária entre R$ 4.500 e R$ 6.000, o que, com ocupação média de 60%, pode gerar receita bruta anual de R$ 1,1 milhão a R$ 1,3 milhão. Descontados condomínio, IPTU e taxas de plataformas, o rendimento líquido ficaria entre 6,5% e 7,2% ao ano sobre o capital investido — bem acima dos 5,1% do aluguel residencial tradicional na capital paulista, segundo a Secovi-SP.
O movimento de Rangel não é isolado. Levantamento da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que, no trimestre encerrado em agosto, as compras de imóveis de alto padrão por influenciadores e atletas cresceram 18% em relação ao mesmo período de 2025. Só na Vila Olímpia e no Itaim Bibi, foram 47 transações acima de R$ 8 milhões entre junho e agosto deste ano. A Selic a 9,25% após o último Copom, em 2 de setembro, tornou a renda fixa menos atraente e empurrou esse público de volta para o tijolo.
O caso também revela um erro comum entre investidores iniciantes: comprar pelo metro quadrado mais caro do bairro achando que isso garante valorização. A cobertura de Rangel só se paga se a taxa de ocupação se manter acima de 55% — abaixo disso, o retorno fica menor que o de um CDB atrelado ao IPCA. "Imóvel de temporada é negócio de gestão, não de garagem. Quem não quer operar, não deve comprar", alerta a consultora patrimonial Marina Duarte, da Anefac.
Para quem pensa em seguir os passos do influenciador, a lição é clara: o ativo só funciona com estratégia de renda definida antes da compra. Rangel já contratou uma empresa de property management e pretende listar a cobertura em três plataformas internacionais a partir de outubro. Se a ocupação prometida se confirmar, o imóvel se paga em cerca de 14 anos — prazo que, segundo a FipeZap, é 30% menor que a média de retorno de aluguel residencial em São Paulo hoje.


