Home office vira regra e reconfigura preços de bairros periféricos nas capitais
Com 42% dos trabalhadores formais em regime híbrido ou remoto, bairros antes desvalorizados registram alta de até 25% nos preços de imóveis em 2025. Entenda a tendência estrutural que está redesenhando o mapa dos investimentos imobiliários.

Dados da Abrainc divulgados em maio de 2026 apontam que 42% dos trabalhadores formais nas seis maiores capitais do país estão em regime híbrido ou remoto – percentual que era de apenas 12% em 2019. Esse movimento, longe de ser passageiro, já se consolidou como estrutura permanente no mercado de trabalho e está reconfigurando os preços dos imóveis em áreas antes consideradas periféricas.
O índice FipeZap de maio de 2026 mostra que bairros como Jardim das Oliveiras (Campinas), Barreiro (Belo Horizonte) e Jardim Botânico (Brasília) registraram valorização média de 25% nos últimos 12 meses, enquanto os centros tradicionais (como a Vila Mariana em SP e a Savassi em BH) tiveram alta de apenas 8%. O fenômeno não é isolado: a procura por imóveis com espaço para home office, varanda e área de lazer elevou a demanda em regiões mais afastadas, onde o metro quadrado ainda é 40% mais barato que nos bairros nobres.
Segundo estudo da Secovi-SP, o tempo médio de deslocamento casa-trabalho caiu de 1h32 para 48 minutos entre 2019 e 2025 para quem aderiu ao home office parcial. Esse ganho de qualidade de vida faz com que famílias troquem apartamentos compactos em áreas centrais por casas maiores em bairros periféricos, onde o custo por metro quadrado é até 60% menor. A tendência é particularmente forte entre profissionais de tecnologia, educação e serviços corporativos.
A Anbima registrou em 2025 um aumento de 18% no número de investidores pessoa física adquirindo imóveis em bairros periféricos com intenção de locação. A taxa de vacância nessas regiões caiu para 3,2%, contra 7,8% nos centros urbanos. “O home office transformou o conceito de localização: antes valia estar perto do escritório; hoje vale estar perto de áreas verdes e com espaço para trabalho”, afirma o presidente da Abrainc, Luiz França, em entrevista ao portal.
Para o investidor, o momento é de atenção. Bairros que oferecem infraestrutura de internet, comércio local e segurança pública tendem a se valorizar mais. Regiões como a Zona Norte do Rio de Janeiro (bairro do Recreio dos Bandeirantes) e a região de Pirituba em São Paulo já apresentam alta de 12% no preço dos imóveis desde janeiro de 2026. Por outro lado, áreas muito dependentes de transporte público e sem atrativos de lazer podem não acompanhar o ritmo.
Conclusão: o home office não é mais tendência, é realidade estrutural. Quem investir hoje em bairros periféricos com boa conectividade e qualidade de vida pode colher ganhos de valorização acima da média nos próximos 3 a 5 anos. Mas é fundamental escolher regiões com vocação para moradia familiar e serviços, evitando áreas exclusivamente dormitórios. Dados da B3 mostram que os fundos imobiliários focados em lajes corporativas perdem 4% no ano, enquanto os residenciais sobem 9%. O recado do mercado é claro: o centro não é mais o centro.


