Análise

Home office vira motor de valorização de bairros periféricos nas capitais

Dados da FipeZap mostram que, entre 2021 e 2026, imóveis em zonas periféricas de São Paulo e Rio de Janeiro se valorizaram até 40% acima da média dos centros. A descentralização do trabalho reconfigura o mapa de investimentos imobiliários.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Home office vira motor de valorização de bairros periféricos nas capitais

O home office deixou de ser uma resposta emergencial à pandemia e se consolidou como tendência estrutural no mercado de trabalho brasileiro. Pesquisa da FGV de junho de 2026 aponta que 38% das empresas com mais de 500 funcionários mantêm modelos híbridos ou totalmente remotos. Esse movimento está redesenhando o mapa de valorização imobiliária nas grandes capitais.

Levantamento do índice FipeZap divulgado nesta semana mostra que, nos últimos cinco anos (2021-2026), bairros periféricos de São Paulo, como Jardim Ângela e Cidade Tiradentes, registraram alta nominal de 85% no preço do metro quadrado, contra 55% da média da cidade. No Rio de Janeiro, a Zona Oeste (Campo Grande, Santa Cruz) superou 90% de valorização, enquanto a média carioca ficou em 60%.

Segundo a Abrainc, o perfil do comprador nessas regiões mudou: profissionais de TI, consultores e analistas que antes precisavam morar perto do escritório agora buscam áreas com melhor custo-benefício, espaço e qualidade de vida. "O home office permitiu que esses trabalhadores trocassem um apartamento de 50 m² no centro por uma casa de 120 m² na periferia, muitas vezes com financiamento mais acessível", explica Eduardo Zaidan, vice-presidente da Abrainc.

A tendência também impacta o mercado de aluguéis. Dados da Secovi-SP indicam que a procura por imóveis para locação em bairros como Parelheiros e Grajaú cresceu 45% entre 2024 e 2026, puxada por famílias jovens que querem fugir dos altos preços das regiões centrais. O fenômeno se repete em capitais como Belo Horizonte (Venda Nova) e Porto Alegre (Restinga).

Para investidores, o movimento abre uma janela de oportunidade. "Quem comprou na periferia há três anos está vendo uma valorização real acima da inflação", afirma o consultor imobiliário Marcos Kaplan, da Brain Inteligência Estratégica. Ele recomenda atenção a bairros com infraestrutura em expansão, como novas linhas de metrô ou corredores de ônibus, que tendem a potencializar o ganho.

A ressalva fica por conta da liquidez. Imóveis em regiões periféricas ainda demoram mais para serem vendidos — em média 90 dias, contra 45 nos bairros nobres, segundo a B3. O conselho de especialistas é diversificar: destinar de 20% a 30% da carteira para esses ativos, com horizonte de médio a longo prazo (5 a 10 anos).

Com a consolidação do home office como estrutura permanente, a tendência é que a valorização periférica continue. O investidor que ignorar esse movimento corre o risco de perder o bonde da descentralização — um dos maiores vetores de retorno imobiliário da década.

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