Habitação popular: 850 mil moradias no Minha Casa 2027; veja como entrar
O governo anunciou nesta semana a maior expansão do Minha Casa, Minha Vida desde 2020. Entenda os novos critérios de renda, as faixas de juros e o prazo para cadastro nas prefeituras.

O governo federal anunciou nesta terça-feira (8) a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para 2027, com meta de contratar 850 mil novas unidades em todo o país. O programa, que agora inclui a Faixa 4 para rendas até R$ 12 mil, promete movimentar R$ 120 bilhões em investimentos até o fim do ano que vem, segundo o Ministério das Cidades.
A novidade foi apresentada em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença de governadores e prefeitos. Segundo o ministro das Cidades, a seleção das famílias priorizará mulheres chefes de família, pessoas com deficiência e moradores de áreas de risco. O sorteio das unidades será feito pela Caixa Econômica Federal a partir de novembro, com base no CadÚnico atualizado.
Para a indústria, o impacto é imediato. A Abrainc estima que cada R$ 1 aplicado em habitação gera R$ 2,3 na economia, com criação de 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos até dezembro de 2027. No trimestre atual, o setor já registra alta de 12% nas vendas de imóveis de até R$ 350 mil, puxada pela redução da taxa de juros, que caiu para uma média de 8,9% ao ano na última rodada do Copom.
Um dos pontos mais aguardados é o subsídio de até R$ 80 mil para famílias da Faixa 1 (renda até R$ 2.850). Segundo a Caixa, o valor médio do imóvel financiado subiu 6% em relação ao ano passado, chegando a R$ 210 mil, mas a prestação inicial para as faixas mais baixas ficou em R$ 380 — um alívio frente ao aumento de 5% no custo de vida em 2026.
Especialistas, no entanto, alertam para a necessidade de agilidade nas prefeituras. Um levantamento do Secovi-SP indica que 40% dos municípios ainda não atualizaram seus planos diretores, o que pode atrasar a liberação de terrenos. Para o advogado especialista em direito imobiliário, a recomendação é que os interessados procurem os postos da Caixa ou as secretarias de habitação até o fim do mês para garantir o cadastro.
Impacto no mercado secundário também é esperado: com mais oferta de moradias populares, a tendência é de moderação nos aluguéis nas periferias metropolitanas, onde o preço médio do metro quadrado subiu 8% nos últimos 12 meses, conforme o índice FipeZap. Para quem pretende vender ou alugar, o momento exige atenção às novas regras do programa.
A expectativa do governo é que as primeiras chaves sejam entregues ainda no primeiro semestre de 2027. Enquanto isso, os interessados devem acompanhar o cronograma de divulgação dos contemplados, que será feito pelas rádios comunitárias e pelos sites oficiais. Fique de olho também nas assembleias dos condomínios: a portaria publicada nesta semana obriga que 5% das unidades sejam adaptadas para acessibilidade.


