Política

Governo anuncia Minha Casa 2.0 com 1 mi de moradias e Selic a 9,75%

Novo programa federal promete 1 milhão de casas até 2028 e subsídio ampliado de R$ 55 mil para famílias de baixa renda. Entenda o impacto nos preços dos imóveis e nas suas parcelas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Governo anuncia Minha Casa 2.0 com 1 mi de moradias e Selic a 9,75%

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (8) a nova versão do Minha Casa, Minha Vida, batizada de 'Minha Casa 2.0', com meta de contratar 1 milhão de novas moradias até o fim de 2028. O pacote, revelado em cerimônia no Palácio do Planalto, eleva o subsídio máximo para famílias com renda de até R$ 2.640 para R$ 55 mil, ante R$ 47 mil no modelo anterior. A medida integra a estratégia do governo para reduzir o déficit habitacional de 5,8 milhões de domicílios, segundo dados da Abrainc divulgados no último trimestre.

A novidade chega em um momento de juros em queda: o Copom reduziu a Selic para 9,75% ao ano na reunião da semana passada, e a expectativa do mercado, conforme a pesquisa Focus do Banco Central, é de novos cortes até o final de 2026. Para o setor imobiliário, isso significa linhas de financiamento da Caixa Econômica Federal mais baratas, com taxas a partir de 7,5% ao ano para o programa. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária projetam um aumento de até 15% nas vendas de imóveis econômicos no próximo ano, impulsionado pela combinação de subsídio maior e juros menores.

Entre as mudanças, o programa amplia o enquadramento de famílias na faixa 1, que agora podem ter renda bruta de até R$ 2.640, e cria uma nova faixa 1,5, com renda até R$ 3.300, que terá acesso a subsídio parcial de até R$ 30 mil. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) classificou a medida como 'um marco para o setor'. No entanto, o anúncio gerou debate sobre o impacto fiscal: o custo estimado do subsídio para este ano é de R$ 8 bilhões, o que exigirá contrapartidas do Congresso, que analisa uma medida provisória para viabilizar os recursos.

Para o comprador, a notícia é positiva: além do subsídio maior, as parcelas do financiamento podem cair cerca de 12% com a redução da Selic. Um imóvel de R$ 200 mil financiado em 30 anos, por exemplo, teria parcela de cerca de R$ 1.500 hoje, contra R$ 1.700 no ano passado, quando a taxa estava em 11,75%. Porém, o setor alerta para o risco de alta nos preços: com a demanda aquecida, a FipeZap registrou alta de 0,8% no preço médio dos imóveis em agosto, e a tendência é acelerar.

Na esfera estadual, São Paulo anunciou um complemento de R$ 10 mil por unidade para famílias inscritas no programa, enquanto Minas Gerais estuda um programa similar. O ministro das Cidades afirmou que o governo pretende lançar um edital para contratação das primeiras unidades até o fim deste mês, priorizando municípios com maior déficit habitacional. A expectativa é de que as primeiras moradias sejam entregues em até 18 meses.

O programa, no entanto, terá que enfrentar desafios históricos, como a burocracia e a falta de terrenos em áreas urbanas. Para a coordenadora do Laboratório de Habitação da USP, o sucesso dependerá da agilidade dos municípios na aprovação de projetos. 'Sem isso, o recurso pode demorar a chegar ao cidadão', afirma. A Caixa Econômica Federal estima que as contratações comecem já em outubro, mas orienta os interessados a atualizarem seus cadastros nos CRAS ainda neste mês.

Para quem pensa em comprar, a recomendação é avaliar o enquadramento na nova faixa de renda e simular as condições de financiamento. Com a Selic caindo e o subsídio ampliado, o momento é favorável, mas é preciso ficar atento às regras de cada município. A matéria completa com a tabela de subsídios e simulações está em nosso site.

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