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Governo amplia teto do MCMV em 250 cidades e lança linha Casa Própria com juro de 4,5% ao ano

Nesta quinta-feira (19), o governo federal anunciou o maior reajuste do Minha Casa, Minha Vida em três anos e uma nova modalidade de crédito para famílias de classe média, a Casa Própria, com taxa fixa de 4,5% ao ano.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Governo amplia teto do MCMV em 250 cidades e lança linha Casa Própria com juro de 4,5% ao ano

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (19) a maior atualização do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) desde a sua recriação, em 2023. Em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente sancionou a Medida Provisória 1.350, que eleva o valor máximo dos imóveis financiáveis na Faixa 1 de R$ 190 mil para R$ 210 mil e na Faixa 2 de R$ 240 mil para R$ 270 mil. O reajuste abrange 250 municípios com maior déficit habitacional, segundo dados do IBGE de 2025. A medida já está em vigor e deve beneficiar cerca de 1,2 milhão de famílias ainda em 2026.

Paralelamente, o Conselho Curador do FGTS aprovou, também nesta semana, a criação da linha Casa Própria, voltada para famílias com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. O novo produto oferece taxa de juros fixa de 4,5% ao ano, mais a Taxa Referencial, e prazo máximo de 35 anos. A expectativa da Caixa Econômica Federal é liberar R$ 15 bilhões em financiamentos até dezembro, com subsídio do Fundo Garantidor da Habitação (FGHab).

O anúncio ocorre em um momento de aquecimento do mercado imobiliário. O Índice FipeZap de Venda Residencial apontou alta de 1,2% em junho ante maio, acumulando 9,8% nos últimos 12 meses. Já a Abrainc registrou aumento de 14% nas vendas de imóveis no primeiro semestre de 2026, impulsionado pelos lançamentos do MCMV.

O setor também acompanha as movimentações do Banco Central. Na reunião do Copom de junho, a Selic foi mantida em 12,75% ao ano, mas a expectativa do mercado é de queda para 12% já na reunião de agosto, o que poderia baratear ainda mais o crédito imobiliário. No entanto, a inflação de materiais de construção, que subiu 0,8% em junho (segundo o IBGE), ainda preocupa as construtoras.

Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária avaliam que a combinação de aumento do teto, nova linha de crédito e possível queda da Selic cria um ambiente favorável para o segmento. "A Casa Própria atende uma demanda reprimida da classe média, que não se encaixava no MCMV e também não conseguia financiar com taxas de mercado", analisa a economista-chefe do Secovi-SP, Maria Fernanda Cardoso. "Para as construtoras, o momento é de reposicionamento de estoques e lançamentos focados em até R$ 270 mil."

Para quem planeja comprar imóvel, a dica é agir rápido. "Com a demanda aquecida e a oferta limitada de terrenos em áreas centrais, os preços podem subir nos próximos meses", alerta o presidente da Abrainc, Luiz França. Ele recomenda que os interessados simulem as condições de financiamento já nas primeiras semanas de vigência da nova linha, antes que os bancos ajustem spreads.

Em resumo, as mudanças desta semana sinalizam um novo ciclo para a política habitacional brasileira. Resta saber se o governo conseguirá acelerar as obras de infraestrutura nos bairros atendidos pelo MCMV, para evitar a repetição de problemas de mobilidade e falta de serviços observados em empreendimentos anteriores.

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