FIIs

FIIs: os 5 fundos que mais pagaram dividendos em setembro e ninguém viu

Enquanto o Ibovespa patinava, uma cesta de fundos imobiliários entregou rendimentos até 1,32% no mês. Veja o ranking, os riscos e por que o Copom de setembro mudou o jogo.

Redação Perspectiva Imobiliária·
FIIs: os 5 fundos que mais pagaram dividendos em setembro e ninguém viu

Os fundos imobiliários voltaram ao centro das atenções nesta semana. Levantamento da B3 compilado pela Anbima mostra que, entre 1º e 11 de setembro, o IFIX — índice que reúne os FIIs mais negociados da bolsa — avançou 1,8%, enquanto o Ibovespa cedia 0,9% no mesmo intervalo. O motivo é direto: com o Copom sinalizando estabilidade da Selic em 9,75% ao ano na reunião da última quarta-feira, o investidor voltou a olhar para a renda mensal isenta de imposto que os fundos entregam.

O destaque da semana ficou com cinco fundos que pagaram dividendos acima de 1% no mês. Na liderança aparece o XP Log (XPLG11), com rendimento de 1,32% sobre a cota de R$ 92,40, impulsionado pela renovação de dois contratos de galpões logísticos em Cajamar (SP) e pela entrega do novo centro de distribuição em Goiás. Em seguida vêm o Kinea Índices de Preços (KNIP11), com 1,18%, o Maxi Renda (MXRF11), com 1,09%, o BTG Pactual Crédito Imobiliário (BTCR11), com 1,04%, e o Vectis Datacenter (VECT11), com 0,98%.

"O que chama atenção é a qualidade da distribuição. Não é mais aquele rendimento inflado por ganho de capital, é caixa recorrente de aluguel", avalia Renata Coelho, analista da Consultoria TRX, que acompanha 112 fundos. Segundo ela, o segmento de galpões logísticos e data centers responde por 38% do volume negociado na semana, contra 22% no mesmo período de 2025.

Por trás desse movimento há um fator conjuntural. O Banco Central divulgou na terça-feira (8) que o crédito imobiliário com recursos de captação de mercado cresceu 14,3% no trimestre encerrado em agosto, na comparação anual. Isso reduz a pressão sobre os fundos de papel — que emprestam para incorporadoras — e melhora a percepção de risco dos fundos de tijolo, donos de imóveis físicos. O Secovi-SP estima que a vacância média em lajes corporativas na Faria Lima caiu para 13,1% em agosto, o menor patamar desde 2019.

Vídeo relacionado

Nem tudo são flores. O Ifix ainda acumula queda de 2,4% em 2026, pressionado pelo alto volume de emissões no primeiro semestre — foram R$ 18,7 bilhões captados, recorde para o período — e pela concorrência do Tesouro IPCA+, que oferece 6,8% real ao ano. "O investidor precisa olhar o dividend yield, mas também o P/VP. Fundo pagando 1,2% com cota a 1,15 do valor patrimonial é armadilha", alerta Coelho.

Para o estrategista da Guide Investimentos, Marcos Tavares, a janela de setembro é atípica. "Historicamente, o mês é fraco para FIIs por causa da sazonalidade de vacância e reajustes. Este ano, a combinação de IPCA acumulado em 4,1% nos últimos 12 meses com contratos indexados está repassando ganho real para os cotistas", diz. Ele recomenda exposição de 15% a 20% da carteira em fundos de tijolo com contratos atípicos e inquilinos de grau de investimento.

Na próxima quarta-feira (17), a Anbima divulga o boletim semanal de captação líquida dos FIIs. O mercado espera novo saldo positivo após duas semanas de saída. Quem quiser acompanhar o ranking completo, a B3 publica na sexta-feira (19) o informe mensal de rendimentos de setembro — é ali que se confirma se os 1,32% do XP Log se sustentam como o maior pagamento do mês.

#FIIs#dividendos#IFIX#B3#Copom
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo