FIIs de tijolo saltam 12% na semana: 3 fundos que lideram os ganhos
FIIs de shopping e logística puxam alta de 12% na semana, com IPCA-15 e Copom no radar; veja os 3 fundos que lideram os ganhos e o risco de realização.

A semana foi de forte alta para os fundos imobiliários, com o IFIX acumulando ganho de 3,2% até quinta-feira, mas o destaque ficou com os FIIs de tijolo, que saltaram em média 12% — puxados por papéis de shopping e logística. O movimento reflete a leitura do último Copom, que manteve a Selic em 11,75% ao ano, e a revisão para cima no IPCA-15, que veio a 0,42% em julho acima do esperado. Com juros estáveis e inflação controlada, o investidor voltou a buscar renda real.
Entre os líderes da semana, o FII XP Malls (XPML11) subiu 14,8%, após o anúncio de revisão de aluguéis com reajuste médio de 8,3% em três shoppings no Nordeste. Já o VBI Logística (LVBI11) avançou 13,2%, impulsionado pela notícia de que um grande marketplace nacional vai ocupar 45 mil m² no galpão de Cajamar, elevando a ocupação do fundo para 98%. O Hedge Brasil Shopping (HGBS11) completou o pódio, com +11,9%, depois de divulgar vendas 22% maiores no trimestre passado em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O movimento de alta, no entanto, vem acompanhado de cautela. O mercado precifica um possível ciclo de corte de juros no trimestre seguinte, mas a ata do Copom trouxe tom conservador, o que pode limitar novos ganhos no curtíssimo prazo. Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que a euforia pode gerar realização de lucros, especialmente se o fluxo estrangeiro perder força. Segundo dados da B3, os FIIs registraram entrada líquida de R$ 1,2 bilhão na semana, mas o giro já mostra sinais de esgotamento.
Para quem está de fora, a dúvida é se ainda há espaço para entrada. Os três fundos mencionados negociam com dividend yield médio de 9,8% ao ano, acima da média histórica do IFIX, mas o preço das cotas já subiu 18% desde o início de junho, o que reduz a margem de segurança. "O investidor precisa separar o ruído da tendência: a alta é consistente, mas escolher papel pelo desempenho de uma semana é arriscado", diz a analista da Suno Research, que acompanha o setor.
Na outra ponta, os fundos de papel ficaram para trás, com alta média de apenas 1,5% na semana. A explicação está na curva de juros, que continua inclinada, com prêmios de longo prazo ainda altos — o que reduz o apetite por ativos atrelados ao CDI. O It Now IDCA (ICD11), por exemplo, subiu só 0,8%. Isso reforça a tese de que o investidor está migrando para o tijolo, em busca de proteção inflacionária e vacância baixa.
A recomendação dos analistas é de cautela no curto prazo, mas com olhar otimista para o resultado do trimestre que se encerra em setembro. "Se a inflação continuar no alvo e a atividade não decepcionar, os FIIs de shopping e logística tendem a sustentar o patamar atual e ainda pagar bons dividendos", avalia o gestor da XP. Para o investidor, o momento é de acompanhar de perto os relatórios gerenciais de agosto e evitar perseguir preço após altas tão fortes.
A dica prática: quem já tem posição pode aproveitar a liquidez para ajustar o peso na carteira, enquanto quem está de fora pode aguardar uma correção técnica de 3% a 5% antes de comprar. O IFIX fechou o dia a 3.856 pontos, ainda distante da máxima histórica de 3.912, atingida em maio. A próxima semana promete ser decisiva, com a divulgação dos dados de emprego nos EUA e a prévia do PIB brasileiro — ambos capazes de mexer com o humor do mercado.


