FIIs de tijolo saltam 12% em agosto; 3 fundos lideram ganhos na Bolsa
Com Selic a 12,75%, fundos de shopping e logística turbinam dividendos. Veja os papéis que subiram até R$ 0,80 na cota e por que ainda há fôlego.

A semana começou com o IFIX renovando máxima histórica, impulsionado por uma leva de fundos imobiliários de tijolo. O índice fechou segunda-feira (1º/9) com alta de 0,9%, acumulando 12% de valorização em agosto, segundo dados da B3. O desempenho surpreende gestores, que esperavam correção após o último Copom manter a Selic em 12,75% ao ano.
Entre os destaques, o XP Malls Fundo de Investimento Imobiliário (XPML11) saltou 8,3% no mês, com as cotas negociadas a R$ 112,40. O fundo se beneficiou da revisão positiva do Aluguel Variável em shoppings de média renda, que cresceu 7,2% no trimestre encerrado em junho. Já o CSHG Logística (HGLG11) subiu 6,1%, puxado pela alta de 9,4% nos contratos de armazenagem no Sudeste, reflexo do avanço do e-commerce.
O terceiro colocado foi o VBI Prime Properties (PVBI11), com ganho de 5,9%. O fundo, focado em lajes corporativas em São Paulo, viu a vacância cair para 8,1% — o menor nível desde 2021. A gestora atribui o resultado à migração de empresas do centro para a região da Faria Lima, onde os aluguéis já subiram 3,5% no trimestre.
Analistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária recomendam cautela: "O rally de agosto foi forte, mas o dividend yield médio desses fundos ainda está em 9,8%, acima do CDI", afirma Ricardo Zorzetti, sócio da GRI Capital. Para ele, o ciclo de queda da Selic, previsto para começar em dezembro, pode destravar mais valorização, mas a inflação de custos operacionais é o ponto de atenção.
Na ponta oposta, os fundos de papel — que investem em CRIs — amargaram queda de 1,2% no mês. A razão: a alta dos juros futuros para 2027, que subiram de 11,9% para 12,3% na última semana, corroeu o valor das cotas. Especialistas indicam que, para quem busca renda, a hora é de selecionar fundos com contratos atrelados ao IPCA e prazo médio longo.
O próximo gatilho do setor é a reunião do Copom de 24 e 25 de setembro, quando o mercado projeta manutenção da taxa. Mas, com o IPCA-15 de agosto em 0,38%, abaixo do esperado, aumentam as apostas de cortes antecipados. "Se o comitê sinalizar queda, os FIIs de tijolo podem subir mais 5% a 8% até o fim do ano", estima Rafael Camargo, analista da Nova Futura.
Para o investidor pessoa física, a dica é observar o dividend yield mensal e a liquidez das cotas. Fundos como XPML11 e HGLG11 pagaram, respectivamente, R$ 1,05 e R$ 0,95 por cota em agosto, mantendo o rendimento em 0,9% ao mês. Com a Bolsa em alta, o momento é de reforçar posições em fundos com vacância baixa e contratos indexados à inflação, evitando perseguir preços sem lastro no aluguel.


