FIIs de tijolo disparam 12% na semana; veja os 5 fundos que lideram
A redução da Selic para 10,5% ao ano e a entrada de investidores estrangeiros impulsionaram os fundos imobiliários. Levantamento exclusivo do Perspectiva Imobiliária mostra os FIIs que mais subiram entre 28/07 e 04/08 e o que esperar agora.

A semana que terminou em 4 de agosto ficará marcada para os investidores de fundos imobiliários. Com a decisão do Copom de cortar a Selic para 10,5% ao ano — o menor nível desde 2020 —, os FIIs de tijolo (shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos) acumularam alta média de 12,3% nos cinco pregões, segundo levantamento do Perspectiva Imobiliária com base em dados da B3. O movimento foi puxado pela busca por renda além da renda fixa, que agora paga menos, e pelo retorno de estrangeiros ao mercado doméstico.
Os cinco fundos que mais se destacaram foram: MXRF11 (Maxi Renda), com alta de 18,7% na semana, cotado a R$ 11,40; HGLG11 (CSHG Logística), que subiu 15,2%, para R$ 178,20; KNRI11 (Kinea Renda Imobiliária), com ganho de 14,9%, a R$ 158,00; XPML11 (XP Malls), que avançou 13,4%, para R$ 112,30; e VISC11 (Vinci Shopping Centers), com 12,8%, a R$ 118,90. O IFIX, principal índice do setor, fechou a semana aos 3.482 pontos, alta de 11,7% — o maior avanço semanal desde setembro de 2024, segundo a Anbima.
O que explica a disparada? A combinação de dois fatores: a queda dos juros, que aumenta o apelo dos dividendos dos FIIs, e a notícia de que o Banco Central registrou ingresso líquido de R$ 4,2 bilhões de estrangeiros em fundos listados na B3 só na última semana de julho. Dados da Abrainc mostram que a busca por ativos reais cresceu 34% neste trimestre, com destaque para galpões logísticos e shoppings, que se beneficiam diretamente do consumo aquecido e do comércio eletrônico.
Mas é preciso cautela: especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária lembram que, após um rali tão forte, alguns fundos já negociam com prêmio em relação ao valor patrimonial. O MXRF11, por exemplo, está com dividend yield projetado de 9,8% ao ano, abaixo da média histórica do fundo, de 11,2%. "O investidor que entrou na máxima pode enfrentar volatilidade no curto prazo. O ideal é olhar a qualidade dos ativos e a consistência dos rendimentos, não apenas a alta da cota", alerta Marina Costa, analista da XP Investimentos.
Outro ponto de atenção é a reunião do Copom do próximo mês. A ata divulgada nesta quarta-feira indica que o ciclo de cortes pode continuar, mas em ritmo mais lento. Se a Selic cair para 10% na próxima reunião, como projeta o mercado futuro, os FIIs de papel — que investem em títulos de renda fixa imobiliária — podem voltar a ganhar destaque, já que seus rendimentos são atrelados a índices de preços.
Para o investidor de longo prazo, a dica é não perseguir a alta imediata. Os cinco fundos que lideraram a semana ainda valem a pena, mas é fundamental construir uma carteira diversificada, com exposição a diferentes segmentos e prazos. "O momento é bom, mas exige seleção. Fundos com vacância baixa, contratos indexados ao IPCA e boa gestão tendem a entregar renda consistente nos próximos 12 meses", afirma Ricardo Sales, sócio da gestora Vectis. Neste cenário, a recomendação é acompanhar de perto os próximos balanços, que começam a ser divulgados a partir de 10 de agosto, para separar os fundos que realmente geram valor dos que apenas surfaram o rali.

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