FIIs de tijolo disparam 12% em julho e rendem 0,9% ao mês; veja os 5 destaques
Com o Copom mantendo a Selic em 13,75%, fundos de shopping e lajes corporativas lideram ganhos no mês. Levantamento da B3 revela os papéis que mais subiram e os que seguem baratos.

Os fundos imobiliários de tijolo — aqueles que investem em imóveis físicos, como shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos — encerraram julho com alta média de 12% no valor das cotas, segundo levantamento da B3 divulgado nesta quinta-feira (31). O movimento é o mais forte desde o início do ciclo de cortes da Selic, ainda em 2025, e recoloca o setor no radar dos investidores que buscam renda mensal previsível.
O desempenho veio acompanhado de uma leve compressão dos dividendos: o rendimento médio dos FIIs de tijolo caiu de 1,1% para 0,9% ao mês, puxado justamente pela valorização das cotas. "O investidor está pagando mais caro pelo mesmo fluxo de aluguel, mas ainda há fundos com vacância baixa e contratos atípicos que continuam pagando bem", avalia a analista da XP, Mariana Cohen, em relatório desta semana.
Entre os destaques positivos, os fundos de shopping centers subiram 18% em julho, beneficiados pela recuperação do consumo nas capitais e pela reabertura de lojas em centros comerciais de médio porte. Na ponta oposta, os FIIs de lajes corporativas, que sofrem com a vacância acima de 20% em São Paulo, avançaram apenas 6% no mesmo período, mas começam a atrair caçadores de oportunidade.
O Copom, que manteve a taxa básica em 13,75% na reunião da semana passada, também contribuiu para o apetite por risco. Com a renda fixa ainda pagando bem, os FIIs precisam mostrar spreads atrativos — e é exatamente isso que os fundos de galpão logístico estão entregando, com yields anuais na casa de 11% a 12%, segundo dados da Abrainc.
Para o especialista em fundos imobiliários da Suno Research, Luis Fernando Lopes, o momento pede seletividade. "Não é hora de comprar qualquer cota. O investidor deve olhar para fundos com contratos de longo prazo, indexados ao IPCA, e que tenham conseguido repassar a inflação de 4,8% acumulada nos últimos 12 meses", orienta. Ele recomenda atenção especial aos FIIs de logística, que se beneficiam do avanço do e-commerce e da reorganização das cadeias produtivas no interior do país.
A semana que vem promete emoção: a temporada de balanços dos FIIs começa na segunda-feira (3), e os resultados do segundo trimestre vão mostrar se a alta das cotas foi sustentada por fundamentos ou por expectativa. Quem já está posicionado pode aproveitar os proventos; quem ficou de fora, talvez precise aceitar rendimentos menores, mas ainda acima da inflação.
Fique de olho nos cinco fundos que mais subiram em julho, segundo o ranking da B3: MXRF11, com alta de 14,2%; HGLG11, 13,8%; VISC11, 12,9%; XPML11, 21,4%; e KNRI11, 10,7%. Todos seguem com dividendos projetados acima de 8% ao ano, mas os analistas alertam: a rentabilidade passada não garante retornos futuros, e a diversificação continua sendo a melhor estratégia.
