Política

FIIs: alíquota de 22,5% em 2026? O que muda no seu bolso já em agosto

Projeto que tributa dividendos de FIIs e fundos imobiliários pode ser votado em agosto. Entenda o impacto no seu rendimento mensal e nas cotas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
FIIs: alíquota de 22,5% em 2026? O que muda no seu bolso já em agosto

O Congresso acelerou nesta semana a discussão sobre a reforma tributária dos fundos de investimento, com um ponto que tira o sono de quem vive de renda: a possível alíquota de 22,5% sobre os dividendos distribuídos por FIIs. O texto, que tramita em regime de urgência na Câmara, deve ser votado ainda neste mês, segundo o relator da comissão especial.

A proposta original do governo, enviada em maio, previa tributar os rendimentos dos fundos imobiliários a cada distribuição mensal, com alíquota máxima de 22,5%. Atualmente, esses rendimentos são isentos para pessoa física, um dos principais atrativos do produto. O mercado calcula que, se aprovado, um FII que paga R$ 100 em dividendos por mês passaria a render cerca de R$ 77,50 líquidos para o investidor.

A reação do mercado foi imediata. No último pregão, o índice de fundos imobiliários da B3 (IFIX) caiu 2,3%, com os papéis de maiores pagadores de dividendos liderando as perdas. Gestores ouvidos pela reportagem estimam que, em um cenário de aprovação, o ajuste dos preços das cotas pode chegar a 10%, já embutindo a nova carga tributária. "O mercado vai precificar o imposto de forma antecipada", afirma analista da XP, que prefere não revelar o nome.

A disputa no Congresso, no entanto, está longe de um consenso. Líderes da oposição já sinalizaram que tentarão barrar a urgência, enquanto a base governista busca incluir o projeto na pauta da próxima semana. Para o relator, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a tributação é uma questão de justiça fiscal: "Não é razoável que o trabalhador assalariado pague imposto e o investidor de alta renda fique isento", disse em coletiva. Já o setor argumenta que a medida vai secar o financiamento de imóveis para locação, um dos motores do mercado.

A pressão também vem do Banco Central. Na ata do último Copom, divulgada na terça-feira, o comitê alertou para o impacto inflacionário de uma eventual alta de preços de aluguéis, caso os FIIs reduzam a oferta. Economistas do Citi projetam que a aprovação pode adicionar 0,3 ponto percentual ao IPCA em 2027, se houver repasse para os inquilinos.

Enquanto isso, o investidor de varejo fica no meio do fogo cruzado. Plataformas como a Rico e a Clear já registram aumento de 15% na procura por FIIs de tijolo (shoppings, lajes corporativas) nas últimas duas semanas, numa espécie de "corrida" para garantir o benefício antes da mudança. Especialistas recomendam cautela: se a alíquota for aprovada, os preços das cotas devem cair, mas o rendimento líquido pode continuar atrativo para quem pensa no longo prazo.

A votação deve ocorrer até o fim de agosto. Até lá, a recomendação é não tomar decisões precipitadas, mas acompanhar de perto os passos do projeto. Para quem ainda não tem exposição, a dica dos analistas é esperar a definição, uma vez que a volatilidade deve ser grande. E se aprovado, o impacto pode ser sentido já nos primeiros pagamentos de setembro.

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