FIIs: 3 fundos que subiram 12% em julho, antes da alta da Selic
Enquanto o IFIX caiu 1,3% no mês, esses fundos ignoraram o mau humor do mercado. A estratégia deles pode proteger sua carteira agora que o Copom deve subir os juros.

O mês de julho foi de correção para os fundos imobiliários, com o IFIX recuando 1,3%, pressionado pela expectativa de alta da Selic no Copom desta semana. Mas, em meio ao mau humor geral, três FIIs conseguiram subir mais de 12%, surfando nichos específicos que seguem aquecidos mesmo com juros altos.
De acordo com levantamento da plataforma TradeMap, os destaques foram o FII de fundos de investimento em direitos creditórios (Fiagro) e dois fundos de tijolo voltados para logística na região Sul. O melhor desempenho foi do XPIN11, com alta de 14,2%, impulsionado pela valorização de seus ativos de agronegócio, que se beneficiam da safra recorde de grãos neste trimestre. Em seguida, o VILG11 subiu 12,7%, refletindo a alta demanda por galpões em Curitiba e na região metropolitana, onde a vacância caiu para 5,3%, a menor taxa desde 2020, segundo a SiiLA.
O terceiro colocado foi o HGLG11, que avançou 12,1% após anunciar a venda de dois imóveis de escritório em São Paulo por um valor 22% acima do avaliado em laudo, gerando um ganho de capital que será distribuído como dividendo extraordinário. O gestor do fundo, em comunicado, afirmou que o lucro será pago em setembro, o que atraiu investidores em busca de rendimento extra.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária avaliam que a alta desses fundos não é coincidência: eles têm em comum baixa alavancagem e contratos indexados ao IPCA ou ao IGP-M, o que os protege da inflação e da elevação da taxa básica de juros. "Enquanto a Selic deve subir 0,5 ponto percentual na reunião de agosto, para 12,25% ao ano, fundos com contratos longos e reajuste por inflação tendem a sofrer menos que os atrelados ao CDI", explica André Martins, analista da XP.
No entanto, é preciso cautela. A alta recente pode já estar precificada, e o mercado segue volátil. A recomendação é que investidores observem o histórico de gestão e o dividend yield médio dos últimos 12 meses, que nesses três fundos variou entre 9% e 11%, bem acima da média do IFIX, de 7,8%. "Não é hora de comprar no topo, mas de incluir esses papéis em uma diversificação de longo prazo", pondera Mariana Costa, sócia da Suno Research.
Para a semana que vem, o foco estará na reunião do Copom, na quarta-feira, e na divulgação do IPCA de julho. Se a inflação acelerar, os FIIs de papel podem ser os mais prejudicados, enquanto os de tijolo com contratos atípicos seguem como porto seguro. Como sempre, vale acompanhar os relatórios gerenciais de agosto, que começarão a ser publicados já na próxima semana.


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