FIIs: 3 fundos que pagaram até 1,8% em setembro e ninguém viu
Com a Selic a 9,75% e o IFIX batendo 3.200 pontos, três FIIs de papel e logística se destacaram na semana com dividend yields mensais de até 1,8% — bem acima da média do mercado.

Os fundos imobiliários brasileiros tiveram uma semana de destaque silencioso. Enquanto o Ibovespa oscilava com o vaivém da reforma tributária no Congresso, o IFIX — índice da B3 que reúne os principais FIIs — avançou 1,4% nos últimos cinco pregões e voltou ao patamar dos 3.200 pontos, nível que não alcançava desde maio. O movimento foi puxado por três fundos específicos que distribuíram rendimentos mensais de até 1,8%, segundo dados compilados pela Anbima e pela própria B3 nesta quinta-feira (11).
O primeiro destaque é o BTG Logística (BTLG11), que anunciou rendimento de R$ 0,98 por cota em setembro — equivalente a 1,3% sobre o preço de fechamento da última terça. O fundo, que tem 62% do portfólio em galpões logísticos no eixo Rio-São Paulo, se beneficiou da retomada da demanda por galpões classe A após a queda da vacância para 8,2% no segundo trimestre, conforme levantamento da Abrainc. A locação de um galpão de 12 mil m² em Cajamar (SP) para uma operadora de e-commerce deve adicionar R$ 0,06 por cota ao rendimento de outubro.
Na esteira dos fundos de papel, o destaque ficou com o Kinea Índices de Preços (KNIP11), que pagou R$ 0,92 por cota — 1,1% de yield mensal. O fundo, atrelado a CRIs indexados ao IPCA, surfou a surpresa positiva do IPCA de agosto, que veio em 0,38% e levou o acumulado em 12 meses a 4,1%. Com a curva de juros precificando Selic terminal em 9,75% após o último Copom, os CRIs indexados ganham apelo: cada 0,25 ponto de queda na taxa básica tende a elevar o valor de mercado desses papéis em cerca de 0,8%, segundo estimativa da gestora.
O terceiro nome da lista é o RBR Log (RBRP11), que distribuiu R$ 0,85 por cota (1,8% de yield), o maior rendimento da semana entre os FIIs listados. O fundo, que recentemente concluiu a venda de um terreno em Guarulhos por R$ 42 milhões — 23% acima do valor contábil —, usou parte do caixa para recomprar cotas a R$ 47,20, abaixo do valor patrimonial de R$ 52,10. A operação, aprovada em assembleia no fim de agosto, sinaliza que a gestão vê desconto relevante no papel.
O movimento dos fundos imobiliários nesta semana contrasta com o desempenho dos FIIs de tijolo voltados ao varejo, que amargaram queda média de 0,7% após a divulgação de que as vendas do setor recuaram 1,2% em julho, na comparação anual, segundo o IBGE. Ainda assim, o setor como um todo captou R$ 3,4 bilhões em novas emissões no trimestre atual, o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2024, de acordo com a Anbima. A expectativa é que o volume chegue a R$ 5 bilhões até dezembro, impulsionado pela janela de captação aberta com a queda dos juros.
Para o investidor pessoa física, o recado é claro: com a Selic a 9,75% e o IPCA comportado, os FIIs de papel indexados à inflação e os fundos logísticos com vacância baixa formam o par mais equilibrado entre renda mensal e proteção do patrimônio. O rendimento médio dos FIIs listados ficou em 0,82% em setembro, mas os três fundos citados entregaram entre 1,1% e 1,8% — mais que o dobro do CDI líquido no mesmo período. A próxima janela de decisão é o Copom de outubro, que pode selar o início do ciclo de queda de juros e destravar nova rodada de valorização para o setor.


