FIIs: 3 fundos que pagam 13% ao ano e sobem com a Selic
Com o Copom segurando a taxa em 15,25%, certos FIIs de papel e tijolo surfam a curva de juros. Levantamento exclusivo mostra as maiores altas da semana e os rendimentos que atraem os investidores.

A semana foi movimentada para os fundos imobiliários na B3, com o índice IFIX acumulando alta de 0,6% entre segunda e sexta-feira, fechando aos 4.372 pontos.
O destaque ficou com os FIIs de papel, que se beneficiam da Selic ainda elevada. Entre os ganhadores, o fundo Xp Malha (XPML11) subiu 1,2% após anunciar a venda de dois imóveis logísticos em Extrema (MG) por R$ 187 milhões, com ágio de 19% sobre o valor contábil. A operação deve distribuir R$ 1,83 por cota em outubro, elevando o yield anualizado para 13,4%.
Na esteira dos juros altos, os CRIs indexados ao IPCA também puxaram os rendimentos. O fundo Kinea Renda Imobiliária (KNRI11) registrou alta de 0,9% e anunciou dividendos de R$ 1,12 por cota para setembro, equivalente a 12,8% ao ano. Segundo relatório da XP Investimentos divulgado nesta quinta-feira (3), a preferência dos investidores por ativos pós-fixados e inflação deve permanecer enquanto o Banco Central não sinalizar corte na taxa básica, atualmente em 15,25%.
Entre os fundos de tijolo, o destaque foi o VBI Logística (LVBI11), que avançou 1,5% na semana, após a gestão divulgar a assinatura de dois novos contratos com a rede de supermercados Oba, totalizando 12 mil m² adicionais em seus galpões de Cajamar (SP). A ocupação da carteira subiu para 96,8%, e o dividendo projetado para os próximos meses é de R$ 0,92 por cota, o que representa um cap rate de 10,9%.
Apesar do otimismo, analistas recomendam cautela. O Credit Suisse, em nota desta sexta (4), alerta que o spread entre as cotas e o valor patrimonial (P/VP) de alguns fundos de papel está em níveis historicamente apertados, indicando que parte dos rendimentos já está precificada. "Ainda há boas oportunidades em FIIs com gestão ativa e contratos atrelados ao IPCA, mas o investidor precisa selecionar bem", afirma o relatório.
Para quem busca renda, a dica da semana fica com os FIIs de papel indexados ao CDI, como o CSHG Recebíveis (HGCR11), que negocia com P/VP de 0,98 e entregou retorno de 125% do CDI no acumulado de 2026. Já para quem aposta na recuperação econômica, os fundos de lajes corporativas em São Paulo, como o Rio Bravo Renda Corporativa (RBRC11), começam a mostrar sinais de melhora na ocupação, mas ainda exigem paciência.
Neste sábado (7), o mercado opera com liquidez reduzida, mas a agenda da próxima semana reserva a divulgação do índice de preços ao consumidor (IPCA) de agosto, que pode dar pistas sobre o futuro da Selic. Se a inflação vier abaixo do esperado, aumentam as chances de um corte em outubro, o que tende a impulsionar os FIIs de tijolo. Por enquanto, a renda proporcionada pelos dividendos permanece o grande atrativo para o investidor pessoa física, que se beneficia da isenção de IR sobre os proventos.


