FGTS extra de R$ 2,5 bi libera 180 mil imóveis do MCMV em 30 dias
Medida anunciada nesta semana pelo governo injeta R$ 2,5 bilhões do FGTS no Minha Casa, Minha Vida, reduzindo juros e acelerando a compra da casa própria. Veja quem pode aproveitar.

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (7) uma injeção de R$ 2,5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com o objetivo de destravar a compra de imóveis para famílias de baixa e média renda. A medida, que entra em vigor em até 30 dias, deve beneficiar cerca de 180 mil famílias que estavam na fila do programa, reduzindo os juros dos financiamentos em até 1,5 ponto percentual para contratos de até R$ 350 mil.
Segundo o Ministério das Cidades, o aporte será usado para equalizar as taxas de juros nas faixas 1 e 2 do MCMV (renda familiar de até R$ 4,4 mil e até R$ 8 mil, respectivamente). Na prática, um mutuário da faixa 1, que hoje paga juros de 4,5% ao ano, pode ver a taxa cair para 3,99%, com economia média de R$ 7,2 mil ao longo do financiamento. A liberação dos recursos ocorre em um momento em que a Caixa Econômica Federal registra alta de 23% na demanda por crédito imobiliário no trimestre atual, puxada justamente pelo programa habitacional.
A decisão ocorre após o Banco Central manter a Selic em 14,25% ao ano no último Copom, o que vinha encarecendo o crédito imobiliário e travando novos lançamentos. De acordo com dados da Abrainc, as vendas de imóveis novos caíram 12% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, e a expectativa das incorporadoras era de mais um trimestre fraco. A nova medida, no entanto, é vista pelo setor como um alívio imediato, devendo gerar um impacto positivo nas vendas já no quarto trimestre.
Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária destacam que o reforço do FGTS é uma das maiores injeções de subsídio já feitas no programa, superando o aporte de R$ 1,2 bilhão feito no ano passado. Além da redução dos juros, o governo também ampliou o prazo máximo de financiamento para 420 meses para famílias com renda de até R$ 4,4 mil, o que reduz a parcela mensal em cerca de 18%. Com isso, um imóvel de R$ 220 mil pode ter parcela inicial de R$ 890, ante os R$ 1.090 anteriores.
Para a Secovi-SP, a medida deve impulsionar não só o mercado primário, mas também o secundário, já que parte dos recursos poderá ser usada para aquisição de imóveis usados dentro do programa. A expectativa é de que os 180 mil novos contratos gerem um efeito multiplicador de R$ 32 bilhões na economia, considerando materiais de construção, mão de obra e serviços. Em São Paulo, corretores já relatam aumento de consultas para imóveis na faixa de R$ 200 mil a R$ 300 mil, os mais procurados pelos beneficiários.
Na prática, quem deseja aproveitar a medida deve procurar a Caixa ou um correspondente bancário nas próximas semanas, pois o prazo de 30 dias para a efetiva liberação dos recursos pode gerar filas. É preciso ter o nome limpo, comprovar renda e estar enquadrado nas faixas do programa. Para os investidores, a dica é monitorar os lançamentos de incorporadoras que atuam no segmento econômico, como MRV e Direcional, que devem anunciar novos projetos para atender à demanda aquecida.
Com a Selic ainda alta, a medida do FGTS não resolve todos os gargalos do crédito imobiliário, mas dá um respiro importante para as famílias que sonham com a casa própria. O momento, portanto, é de correr contra o tempo: as 180 mil vagas podem esgotar rapidamente, como já ocorreu em outras edições do programa. Fique atento às regras e não perca o prazo.


