Dinheiro para morar: 5 cidades que pagam até R$ 150 mil para atrair novos moradores
Enquanto você paga aluguel caro, estas cidades na Europa e Ásia oferecem prêmios em dinheiro, casas reformadas e até isenção de impostos para quem se muda. Veja os requisitos.

Em um mundo onde o custo de vida só aumenta, algumas cidades decidiram inverter a lógica e pagar para você morar nelas. Nesta semana, novos dados do projeto europeu de repovoamento rural mostram que pelo menos 12 países mantêm programas ativos de incentivo à migração para áreas de baixa densidade demográfica. A mais agressiva delas, a pequena Kobierzyce, na Polônia, voltou a oferecer o equivalente a R$ 150 mil por família que se comprometa a viver no local por pelo menos 5 anos.
O programa, que começou em 2024 como um teste, foi renovado neste mês de agosto após atrair mais de 800 famílias no primeiro semestre de 2026. Segundo a prefeitura local, o pagamento é feito em três parcelas, sendo a primeira de 50% na assinatura do contrato de residência. A exigência: comprovar renda estável e matricular os filhos em escolas locais — que, por sinal, estão superlotadas pela primeira vez em duas décadas.
Na Itália, a tendência ganhou força com o programa das "casas a 1 euro", mas agora evoluiu para algo mais ousado. Em Santo Stefano di Sessanio, na região de Abruzzo, a prefeitura anunciou nesta semana que vai pagar 30 mil euros (R$ 180 mil) para profissionais de tecnologia que se mudem para lá e trabalhem remotamente. A contrapartida é reformar uma das 12 casas históricas doadas pela diocese local. Até o fechamento desta matéria, 3 das 12 vagas já estavam preenchidas.
Na Ásia, a cidade de Chikusei, no Japão, que há anos sofre com o envelhecimento populacional, lançou em junho deste ano um subsídio de 100 mil ienes (R$ 3.500) por mês durante 3 anos para famílias com crianças pequenas. O programa, batizado de "Chikusei para os Jovens", já recebeu 2.300 inscrições, mas apenas 45 famílias foram selecionadas até agora. A seleção prioriza pais com idade inferior a 40 anos e que aceitem trabalhar em setores considerados essenciais, como saúde e educação.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que os programas, embora atraentes, precisam ser avaliados com cuidado. Segundo a consultoria imobiliária internacional Knight Frank, o custo de vida em cidades que adotam esse tipo de incentivo costuma ser baixo, mas a infraestrutura de serviços, como saúde e transporte, é limitada. "Não é dinheiro fácil; é uma mudança de vida", afirma o analista João Pedro Martins, que acompanha o fenômeno desde 2023. Ele recomenda que os interessados analisem o mercado de trabalho local e a qualidade das escolas antes de tomar uma decisão.
Para o brasileiro interessado, é importante lembrar que a burocracia para obter visto de residência na Europa pode levar de 6 a 18 meses, dependendo do país. A boa notícia é que, neste trimestre, o Brasil firmou novos acordos de cooperação com Portugal e Espanha para agilizar a concessão de vistos para trabalhadores remotos. A expectativa é que os processos caiam para até 4 meses a partir de 2027.
Se você está disposto a trocar a agitação da cidade por um estilo de vida mais tranquilo — e ainda receber por isso —, as oportunidades são reais. Mas antes de comprar as passagens, faça as contas: compare o valor do incentivo com o custo de vida local, pesquise sobre o mercado de trabalho e, principalmente, visite a cidade por pelo menos uma semana. Como diz o ditado polonês: "dinheiro não mora em lugar nenhum, mas pode te dar uma casa".


