Copom sobe Selic para 12,75% e financiamento imobiliário fica R$ 220 mais caro
No Copom de julho, a taxa básica subiu 0,5 ponto, jogando os juros de novos contratos para 11,9% ao ano. Veja o impacto no valor da parcela e quem ainda consegue fugir do aperto.

O Banco Central anunciou, no último Copom, a sexta alta consecutiva da Selic, que agora está em 12,75% ao ano. A decisão, tomada na última quarta-feira, já tem efeito direto no bolso de quem pretende financiar um imóvel: a taxa média de novos contratos com recursos livres subiu para 11,9% ao ano, segundo dados da Abrainc divulgados nesta semana. Para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, a parcela inicial saltou de R$ 4.380 para R$ 4.600 — uma diferença de R$ 220 por mês.
O movimento do Copom não foi surpresa. A ata divulgada nesta terça-feira mantém o tom duro, citando expectativas de inflação acima da meta para 2027 e a necessidade de sinalizar compromisso fiscal. No setor, a reação foi imediata: a Secovi-SP registrou queda de 9% nas vendas de imóveis novos na capital paulista em julho, na comparação com junho. É o terceiro mês seguido de recuo, interrompendo o ciclo de crescimento que vinha desde 2025.
O crédito imobiliário, que vinha sendo o motor do setor, agora sofre com o encarecimento. De acordo com o Banco Central, as concessões totais somaram R$ 15,2 bilhões em julho, 7% abaixo da média do primeiro trimestre. O crédito da poupança, que responde por 60% dos empréstimos, encolheu 11% no mesmo período, reflexo da migração de recursos para títulos públicos, que pagam mais com a Selic em alta.
Para quem já contratou, não há alívio no curto prazo. Os contratos atrelados à TR ou ao IPCA, com reajuste anual, vão sentir o peso no próximo aniversário. A recomendação dos especialistas é buscar a portabilidade para taxas fixas ou renegociar com o banco antes da virada do índice. Mas a janela está estreita: a expectativa do mercado, segundo o relatório Focus, é de mais uma alta de 0,25 ponto em setembro, antes de um possível ciclo de cortes apenas em 2027.
Enquanto isso, os programas habitacionais tentam contrabalançar. O Minha Casa, Minha Vida anunciou nesta semana a ampliação do subsídio para famílias de até R$ 2.640, com taxas a partir de 4,05% ao ano, o que pode ajudar a segurar a demanda na faixa 1. No entanto, para a classe média, que depende do crédito de mercado, o cenário é de aperto. Para quem pode esperar, a dica é acompanhar os próximos passos da política monetária: se a inflação ceder, a Selic pode recuar em 2027, barateando o custo do sonho da casa própria.


