Copom sobe Selic a 15,75% e crédito imobiliário trava no 2º semestre de 2026
Nova alta de 0,5 ponto percentual na Selic nesta semana eleva taxa básica ao maior patamar desde 2016. Impacto imediato nas contratações de financiamento imobiliário, que caíram 12% em junho ante maio, segundo dados da Abrainc.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa Selic para 15,75% ao ano na reunião encerrada na quarta-feira (16), surpreendendo analistas que esperavam manutenção. A decisão, a terceira alta consecutiva em 2026, reflete a persistência da inflação de serviços e o aperto no mercado de trabalho.
O impacto no crédito imobiliário foi imediato. Dados da Abrainc divulgados nesta sexta-feira mostram que as contratações de financiamento para imóveis residenciais caíram 12% em junho na comparação com maio, para 48 mil unidades financiadas. Na comparação com junho de 2025, a queda é de 18%, pressionada pelos juros mais altos e pelo aperto nas condições de crédito.
Segundo economistas consultados pelo Portal, a taxa média de juros dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança já supera 13% ao ano, enquanto os contratos com recursos do FGTS e SBPE estão na faixa de 12,5% a 13,2% — os maiores níveis desde a recessão de 2015-2016. "O custo do crédito imobiliário está inviabilizando novos projetos, especialmente no segmento de médio padrão", afirma a economista-chefe do Secovi-SP, Marina Toledo.
O mercado secundário de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) também reflete o aperto. As taxas dos títulos prefixados de 2 anos subiram para 16% ao ano, ante 14,8% em janeiro. A B3 registrou emissões de CRIs e LCIs 22% menores no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
Para o segundo semestre, a expectativa é de nova retração. O Copom sinalizou no comunicado que pode elevar ainda mais a Selic se a inflação não ceder rapidamente. "Com a taxa básica em 15,75%, o crédito imobiliário fica restrito a compradores de alta renda e a empreendimentos com capital próprio", diz o presidente da Abrainc, Luiz Fernando de Paula.
Em meio ao aperto, uma saída apontada por incorporadoras é o lançamento de projetos com subsídio direto das construtoras — reduzindo margem para manter o fluxo de vendas. Outra alternativa tem sido a captação via fundos imobiliários (FIIs), que em junho captaram R$ 2,8 bilhões, alta de 35% sobre maio, segundo dados da Anbima.
A conclusão é clara: o aperto monetário do BC, focado no combate à inflação, está encarecendo e escasseando o crédito imobiliário, travando o setor que já vinha desacelerando desde o início do ano. A expectativa é que, se a Selic não cair até o fim de 2026, as vendas de imóveis novos no país recuem pelo menos 15% no ano.


