Política

Copom eleva Selic a 16,5% ao ano e trava novo crédito imobiliário em julho

A decisão do Copom nesta semana de subir a Selic para 16,5% interrompe a recuperação do financiamento habitacional. Com a TR baixa, mas juros bancários em alta, o mercado já projeta queda de 12% nas contratações no trimestre.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 16,5% ao ano e trava novo crédito imobiliário em julho

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 16,5% ao ano na reunião encerrada na última quarta-feira, 22 de julho. O aumento de 1 ponto percentual, o quarto consecutivo no ano, foi motivado pela pressão inflacionária persistente — o IPCA-15 de junho acumulou alta de 6,1% em 12 meses. Para o setor imobiliário, o impacto é imediato: o custo do crédito habitacional tornou-se o maior desde o início do ciclo de alta, em janeiro de 2025.

Segundo dados da Abrainc divulgados nesta segunda-feira, a taxa média de juros para financiamento de imóveis subiu para 14,2% ao ano nas operações com recursos da poupança, contra 12,8% em março. Nas linhas com recursos do FGTS, a taxa subiu para 10,4%, ainda abaixo dos 11,9% do pico de 2024, mas com tendência de alta. O presidente da entidade, José Paulo, afirmou que “a velocidade dos aumentos está surpreendendo e já há retração nas simulações de compra”.

A combinação de Selic elevada com a Taxa Referencial (TR) mantida em 0,0% desde 2023 cria um paradoxo: enquanto o custo de captação da poupança sobe, o spread bancário disparou, subindo para 3,6 pontos percentuais em junho, segundo o Banco Central. Isso significa que os bancos estão repassando integralmente o aperto monetário ao tomador final, ao contrário de 2024, quando a concorrência segurou parte dos juros.

Na ponta do mercado, a FipeZap registrou em junho a primeira queda real nos preços de imóveis em 18 meses: os valores subiram apenas 0,2% no mês, muito abaixo da inflação. O número de lançamentos na cidade de São Paulo caiu 15% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2025, segundo a Secovi-SP. Incorporadores recuaram em projetos de médio padrão, concentrando-se em alto padrão, cujo comprador é menos sensível a juros.

O governo federal, por meio da Caixa Econômica Federal, anunciou nesta semana a liberação de R$ 2 bilhões extras para o Minha Casa, Minha Vida, em parte para tentar mitigar o encarecimento do crédito. No entanto, o orçamento do programa para 2026 já é 20% menor em termos reais, conforme relatório do Senado. A medida pode segurar o mercado de baixa renda, mas não resolve o estrangulamento na classe média.

Para o investidor pessoa física, o cenário recomenda cautela. Com a Selic em 16,5%, títulos de renda fixa pós-fixados (como Tesouro Selic) oferecem retorno acima de 1% ao mês, competindo diretamente com o aluguel como renda passiva. Fundos imobiliários (FIIs) sofreram ajuste de 8% no IFIX em julho, mas dividendos médios caíram para 0,75% ao mês, pressionados pela vacância. A Anbima alerta: o ciclo de alta ainda não terminou e novas elevações de 0,5 p.p. são prováveis nas próximas reuniões.

Conclusão: o crédito imobiliário deve continuar encolhendo nos próximos meses. Quem planeja comprar imóvel financiado pode se beneficiar de negociações agressivas com construtoras — estoques estão subindo. Já investidores devem reavaliar a alocação, priorizando liquidez até a Selic dar sinais de estabilização, o que não deve ocorrer antes do primeiro trimestre de 2027.

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