Política

Copom eleva Selic a 15,75% e parcela da casa própria sobe R$ 312

Decisão do Banco Central nesta semana eleva juros e muda o cenário para novos financiamentos. Entenda o impacto no seu bolso e o que fazer agora.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom eleva Selic a 15,75% e parcela da casa própria sobe R$ 312

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou, na última quarta-feira (2), o oitavo aumento consecutivo da taxa Selic, que passou de 15,25% para 15,75% ao ano. É o maior nível desde 2006, em pleno terceiro trimestre de 2026. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, foi unânime e veio acompanhada de um comunicado duro sobre a inflação, que segue acima do teto da meta, e sobre o câmbio, ainda pressionado.

Para quem está comprando imóvel, o efeito é direto e imediato: na ponta do lápis, cada R$ 100 mil financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ficaram cerca de R$ 42 mais caros por mês. Em um financiamento típico de R$ 750 mil, com prazo de 35 anos, a parcela inicial salta de aproximadamente R$ 6.340 para R$ 6.652 — um acréscimo de R$ 312 mensais só por causa da última alta. Os dados são de simulações feitas por associações do setor, como a Abrainc e o Secovi-SP, nesta semana.

A alta da Selic encarece os títulos atrelados à taxa, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), que são a base do funding dos bancos para o crédito imobiliário. Com isso, as instituições financeiras já sinalizaram, em comunicados a corretores nesta sexta-feira (4), que vão repassar o novo custo às taxas dos financiamentos. O Banco Central, em sua ata divulgada ontem, reforçou que a política monetária segue contracionista para garantir a convergência da inflação, mas reconheceu que o crédito imobiliário é um dos setores mais sensíveis ao ciclo de juros.

No trimestre atual, os dados de contratação de financiamentos imobiliários já mostravam desaceleração: segundo o Banco Central, o volume de crédito com recursos da poupança caiu 8,3% entre julho e agosto, comparado ao mesmo período do ano passado. A alta de juros agora deve intensificar essa tendência no quarto trimestre. Para o comprador de primeira viagem, a alternativa de usar o FGTS se torna ainda mais estratégica, já que as taxas do fundo são inferiores às de mercado.

Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam, neste momento, três atitudes: quem já tem contrato assinado e taxa fixa contratada não precisa se preocupar; quem está no meio do processo de aprovação deve acelerar a assinatura para garantir as condições anteriores; e quem pretende comprar no próximo ano deve aguardar, pois o mercado projeta o início do ciclo de queda da Selic já no primeiro trimestre de 2027.

A pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira (7), indica que os analistas esperam a Selic encerrar 2026 em 14,5%, o que implica pelo menos uma redução na última reunião do ano, em dezembro. Até lá, porém, quem precisa financiar agora terá de conviver com as parcelas mais altas. A dica dos especialistas: negociar prazos mais longos e dar uma entrada maior — cada 10 pontos percentuais a mais de entrada reduz o impacto dos juros na prestação.

A decisão do Copom também afeta os investidores: com a Selic em 15,75%, o retorno da renda fixa segue atraente, mas os fundos imobiliários (FIIs) tendem a sofrer com a saída de capital. Na B3, o índice de fundos imobiliários (IFIX) acumula queda de 4,2% no trimestre atual. Para o setor imobiliário, o recado é claro: o segundo semestre será de ajuste, e a retomada dependerá da trajetória dos juros a partir de 2027.

Fique atento: o Banco Central já confirmou a próxima reunião do Copom para os dias 3 e 4 de novembro. Se você está planejando comprar um imóvel, acompanhe os comunicados e converse com seu gerente para simular cenários. A decisão de hoje pode custar caro se não for bem planejada.

#Copom#crédito imobiliário#selic
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