Copom eleva Selic a 14,25% e crédito imobiliário encarece R$ 290 por parcela
A decisão unânime do BC nesta quarta-feira elevou a taxa básica e já derrubou a oferta de recursos da poupança. Veja o impacto real no financiamento da casa própria e o que ainda pode piorar.

O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) a nova Selic em 14,25% ao ano, após a reunião do Copom que terminou com decisão unânime de alta de 0,5 ponto percentual. É o segundo aumento consecutivo no trimestre, interrompendo o ciclo de cortes que vigorou no início do ano e reacendendo o alerta no mercado imobiliário.
O impacto é direto: para um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pela tabela SAC, a parcela inicial sobe de R$ 4.380 para R$ 4.670, um acréscimo de R$ 290 por mês em relação à média de junho, quando a taxa estava em 13,75%. Os cálculos consideram a taxa média de mercado para PF, que subiu de 11,2% para 11,8% ao ano, segundo dados da Abrainc divulgados ontem.
A fonte de recursos mais afetada é a poupança, principal lastro do crédito imobiliário. Com a Selic acima de 14%, a caderneta perde atratividade e as captações líquidas caíram 18% em julho na comparação com junho, conforme levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Isso se reflete na oferta: os bancos já reduziram em 12% a carteira de novos financiamentos neste mês, segundo a Secovi-SP.
No Congresso, a pressão sobre o BC aumentou. Nesta semana, a Frente Parlamentar pelo Mercado Imobiliário protocolou um requerimento de convocação do presidente do Banco Central para explicar os efeitos da política monetária sobre o déficit habitacional, que hoje atinge 6,1 milhões de moradias, segundo dados da FGV divulgados em maio. O relator da proposta, deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), afirmou que "a Selic de dois dígitos inviabiliza o sonho da casa própria para a classe média".
Para o investidor, o cenário tem dois lados. O crédito imobiliário fica mais caro, mas os títulos atrelados à Selic, como o Tesouro Selic e os CRIs com indexador DI, passam a render mais. O índice de fundos imobiliários da B3, o IFIX, recuou 1,4% na semana, refletindo o temor de desaceleração das vendas de imóveis novos, que já caíram 9% no segundo trimestre, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
A expectativa do mercado, conforme o boletim Focus publicado segunda-feira, é que a Selic encerre 2026 em 15% ao ano. Isso significa que quem pretende financiar deve agir rápido, antes que as taxas subam ainda mais. Por outro lado, para quem tem recursos para investir, os papéis pós-fixados se tornam ainda mais atraentes. A decisão final do Copom saiu com indicação de nova alta na próxima reunião, marcada para setembro, se a inflação não ceder.
Em resumo, a alta da Selic não é um evento isolado: ela redefine o custo de cada parcela, a oferta de crédito e a atratividade dos investimentos em renda fixa. Quem está no mercado precisa recalcular seus planos — e a janela para financiar com taxas atuais pode estar se fechando.


