Copom derruba Selic para 9,25% e parcela da casa própria cai R$ 312
Apesar do alívio no financiamento, bancos já travam novas linhas e o spread bancário sobe para 2,1 pontos, o maior desde 2023. Entenda quem realmente ganha com a decisão do BC.

A queda de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada na quarta-feira (9) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), levou a Selic a 9,25% ao ano — o menor patamar desde março de 2023. Para quem financia imóvel, o efeito é imediato: nas simulações do Banco Central divulgadas nesta semana, uma parcela de R$ 2.480 num financiamento de R$ 300 mil em 30 anos cai para R$ 2.168, alívio de R$ 312 por mês. No total do contrato, a economia chega a R$ 112 mil.
O problema é que o repasse não veio inteiro. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) mostra que os bancos privados ajustaram suas taxas em apenas 0,30 ponto, mantendo o spread médio em 2,1 pontos percentuais — o maior desde o fim de 2023. Na Caixa, que concentra 68% do crédito habitacional do país, o corte foi integral somente para imóveis do Minha Casa Minha Vida faixa 2 e 3. Acima de R$ 500 mil, a taxa efetiva segue em 11,4% ao ano.
"O Copom sinalizou que o ciclo de queda pode parar em 8,75% no fim do ano, e isso muda o cálculo de todo mundo", explica o economista-chefe da Secovi-SP, Rubens Almeida. "Quem esperou para financiar em 2027 pode pegar taxa maior se a inflação de serviços voltar a subir no quarto trimestre." O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,1%, dentro do teto da meta, mas a inflação de serviços roda a 5,8% — o principal alerta do comitê na ata divulgada nesta quinta.
Na prática, o mercado já reage. Dados da Fipezap mostram que os lançamentos residenciais em São Paulo e no Rio cresceram 14% no trimestre atual na comparação anual, puxados por unidades de até R$ 450 mil, faixa em que a queda da Selic tem efeito mais direto. Já o segmento de alto padrão, acima de R$ 1,5 milhão, sentiu o freio: as vendas caíram 7% no mesmo período, segundo a Abrainc.
Para o investidor de imóveis, o recado é dúbio. De um lado, a queda da Selic torna os títulos públicos menos atraentes: o Tesouro IPCA+ 2035 paga hoje 5,4% real, contra 6,8% em janeiro. De outro, o crédito mais barato aquece a demanda por aluguel e valorização. "O investidor que comprou laje corporativa em 2024 está vendo o cap rate voltar a fazer sentido", diz Almeida. "Mas quem apostou em flip de apartamento de luxo vai precisar segurar o ativo por mais tempo."
O próximo Copom, em 4 e 5 de novembro, deve ser o mais decisivo do ano. A aposta majoritária do mercado, segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, é de mais 0,25 ponto de corte, levando a Selic a 9,0%. Se confirmado, o financiamento médio de R$ 300 mil pode chegar a R$ 2.089 por mês até dezembro. Para quem está com contrato engatilhado, a recomendação dos especialistas é clara: travar a taxa agora, antes que a janela feche.


