Política

Copom derruba juros a 8,75% e parcela da casa própria cai R$ 112 já em outubro

Decisão surpresa do Banco Central nesta quarta-feira destrava R$ 38 bilhões em crédito imobiliário represado e muda o jogo para quem financia em 2026; veja o que fazer antes do próximo Copom.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Copom derruba juros a 8,75% e parcela da casa própria cai R$ 112 já em outubro

O Banco Central surpreendeu o mercado nesta quarta-feira (9) ao cortar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 8,75% ao ano — o menor patamar desde março de 2021. A decisão, tomada por 6 votos a 3 na última reunião do Copom deste trimestre, veio depois de o IPCA de agosto ter desacelerado para 0,19%, abaixo da mediana das projeções. Para o financiamento imobiliário, o efeito é imediato: com a queda, a parcela inicial de um imóvel de R$ 500 mil financiado em 30 anos pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) recua cerca de R$ 112 por mês, segundo simulação da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O movimento destrava um estoque de crédito que estava parado. Dados compilados pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostram que R$ 38 bilhões em financiamentos aprovados ficaram represados nos últimos quatro meses à espera de juros menores. "Havia uma fila silenciosa de compradores com carta de crédito na mão, esperando o Copom. Essa fila começa a se dissipar a partir desta semana", avalia Luiz Antônio França, economista-chefe da Abrainc. O Banco Central também sinalizou no comunicado que pode promover novo corte de 0,25 ponto na reunião de novembro, o que levaria a Selic a 8,50%.

A reação já aparece nas pranchetas. Levantamento do Secovi-SP obtido com exclusividade por Perspectiva Imobiliária aponta que os lançamentos residenciais na Grande São Paulo cresceram 14,2% em agosto ante julho, o maior avanço mensal desde outubro de 2025. Incorporadoras como Cyrela, MRV e Direcional revisaram para cima suas metas de vendas para o quarto trimestre, segundo relatórios enviados à B3 nesta semana. O índice FipeZap, que mede o preço médio do metro quadrado nas 50 maiores cidades, subiu 3,1% nos últimos 12 meses até agosto — ritmo que pode acelerar se a demanda por crédito aquecer.

Mas há um alerta importante no radar. A caderneta de poupança, principal fonte de funding do crédito imobiliário, registrou saque líquido de R$ 4,7 bilhões em agosto, o oitavo mês consecutivo de retirada. Com juros menores, a poupança fica ainda menos atrativa e o dinheiro pode migrar para fundos DI e títulos do Tesouro. "Se a poupança sangrar mais rápido do que os bancos conseguem captar em letras imobiliárias, o spread pode não cair na mesma velocidade da Selic", pondera Ana Beatriz Menezes, analista da Anbima. É o fio da navalha que o setor observa para outubro.

Na ponta do lápis, o momento favorece quem tem renda comprovada e entrada de pelo menos 20% do valor do imóvel. Bancos públicos já anunciaram redução de 0,4 ponto nas taxas do SBPE nesta semana, e a Caixa estuda reabrir linhas com juros de 9,2% ao ano para imóveis de até R$ 350 mil. Para quem pensa em financiar, a recomendação de especialistas é clara: simular agora e travar a taxa com o banco, porque o mercado futuro já precifica Selic a 9,25% no fim de 2027 — ou seja, o alívio pode ter prazo de validade.

O próximo teste é o Copom de 4 e 5 de novembro, quando o BC divulga o Relatório de Política Monetária e o mercado saberá se o ciclo de queda continua ou estaciona. Até lá, fundos imobiliários de tijolo e incorporadoras listadas na B3 devem seguir no radar — o IFIX acumula alta de 5,8% em setembro, seu melhor mês desde janeiro. A conferir se o corte desta quarta-feira virou ponto de virada ou apenas um respiro em um ano ainda marcado pela cautela fiscal.

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