Copom deixa Selic em 13,75% e crédito imobiliário desaba 18% no 2º trimestre — o que esperar do 2º semestre?
Decisão do Copom na última quarta-feira (15/7) mantém juros elevados e aperta o crédito imobiliário. Contratações de financiamento caem 18% no 2º trimestre de 2026, segundo Abrainc. Especialistas projetam alívio só em 2027.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu na última quarta-feira (15 de julho) manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, contrariando expectativas de parte do mercado que previa um corte de 0,25 ponto percentual. A decisão unânime reflete a persistência da inflação de serviços, que encerrou junho em 5,2% no acumulado de 12 meses, segundo o IPCA.
Para o setor imobiliário, o efeito foi imediato. Dados da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) divulgados nesta sexta-feira (17/7) mostram que as contratações de financiamento imobiliário com recursos da poupança e do SFH caíram 18% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O volume total somou R$ 32,4 bilhões, o pior resultado para um segundo trimestre desde 2019.
“A manutenção da Selic elevada encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias”, afirma Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do Secovi-SP. “Com a taxa de juros real acima de 8% ao ano, os bancos estão mais seletivos e as taxas de financiamento giram em torno de 12% a 14% ao ano para o SFH, desestimulando novos contratos.”
Na ponta do incorporador, o cenário também é desafiador. Dados da B3 mostram que as emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) somaram R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre, queda de 12% ante o mesmo período de 2025. O custo de captação via CRIs subiu para CDI + 3,5%, ante CDI + 2,8% no início do ano.
A expectativa do mercado é de que o Copom mantenha a Selic estável na reunião de setembro, com possibilidade de corte apenas em novembro, caso a inflação mostre sinais consistentes de arrefecimento. O boletim Focus mais recente, divulgado nesta segunda-feira (14/7), aponta Selic mediana de 12,75% para o fim de 2026 e de 11% para 2027.
Enquanto isso, o crédito imobiliário deve continuar apertado. “Quem pode esperar, deve aguardar o alívio dos juros em 2027 para financiar. Quem precisa comprar agora, terá que buscar alternativas como consórcios ou imóveis na planta com condições alongadas”, recomenda Zaidan. O mercado já sinaliza que o segundo semestre será de ritmo fraco, com estabilização apenas em 2027.


