Contratações do Minha Casa Minha Vida saltam 34% no 2º tri; governo amplia faixa de renda
Com novos limites de renda e subsídios maiores, programa habitacional registra maior volume de contratos desde 2020. Medida provisória em análise no Congresso pode turbinar ainda mais o crédito imobiliário para baixa renda.

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou 187 mil unidades no segundo trimestre de 2026, alta de 34% ante o trimestre anterior e o maior número desde o quarto trimestre de 2020 (quando o programa ainda operava sob regras antigas). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Abrainc e pela B3, com base nos registros de incorporadoras associadas.
O salto reflete as novas regras anunciadas em março pelo Ministério das Cidades, que elevaram o limite de renda familiar da Faixa 1 de R$ 2.640 para R$ 3.000, e da Faixa 2 de R$ 4.400 para R$ 5.000. Além disso, o valor máximo do imóvel subsidiado passou de R$ 264 mil para R$ 300 mil nas regiões metropolitanas do Sudeste e Centro-Oeste.
Paralelamente, o Senado aprovou na semana passada a Medida Provisória 1.285/26, que amplia o orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinado ao crédito imobiliário em R$ 15 bilhões para o segundo semestre. O texto aguarda sanção presidencial. Segundo o presidente da Caixa Econômica Federal, a medida deve injetar liquidez suficiente para financiar mais 80 mil unidades até dezembro.
O economista-chefe do Secovi-SP, Pedro Abramovay, avalia que o momento é favorável: “A combinação de juros básicos em queda — a Selic fechou o 1º semestre em 12,25% a.a., após dois cortes consecutivos — com a ampliação dos subsídios está gerando um círculo virtuoso no setor.” Ele ressalta, porém, que a inflação de materiais de construção, que acumula alta de 8% nos últimos 12 meses, pode pressionar os custos das incorporadoras.
No segmento de Casa Verde e Amarela — extinto em 2023 e substituído pelo novo MCMV —, não há mais contratações, mas os contratos antigos seguem vigentes. O governo informou que 97% dos beneficiários do programa anterior já migraram para as novas regras, o que simplificou a gestão dos subsídios.
Para o investidor, o aquecimento do MCMV também reflete nos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de recebíveis imobiliários (CRIs). Na última semana, o Índice de Fundos de Papéis da B3 subiu 2,3%, impulsionado pela expectativa de maior volume de emissões. Analistas da Anbima recomendam atenção aos fundos expostos a CRIs de MCMV, que tendem a ter menor risco de crédito.
Com a MP em sanção e a possibilidade de novos ajustes nas faixas de renda em 2027, o mercado projeta que o MCMV deve fechar 2026 com 720 mil unidades contratadas, recorde do programa pós-pandemia. O próximo Copom, em agosto, poderá dar mais fôlego ao setor se mantiver a trajetória de cortes na Selic.


